O leilão da massa falida do Cortume Curitiba - o maior da América Latina no início desta década e quinto maior do mundo - conseguiu arrecadar ontem apenas R$ 73 mil em vendas e mais R$ 401,6 mil em propostas de arremate. O resultado foi considerado frustrante por compradores, leiloeiro, credores e síndico da massa falida que esperavam obter maior volume de dinheiro com a venda do patrimônio da empresa, que estava avaliado em R$ 13,59 milhões. Apenas parte do maquinário foi arrematado, não havendo nenhuma proposta para as instalações físicas e terreno.
O leiloeiro oficial Luis Carlos Nogari dos Santos informou que há uma negociação de venda do curtume para uma empresa transportadora de Minas Gerais, que pretende se instalar nos três Estados da Região Sul. Caso não se concretize a negociação, a intenção do síndico da massa falida, Brazílio Bacellar Neto, é vender aos poucos o que sobrou do maquinário. ‘‘Muita coisa vai virar sucata’’, admitiu.
Participaram do leilão cerca de 50 compradores, mas menos de 10 fizeram propostas para ficar com parte do maquinário. ‘‘Tinha máquinas aqui que estavam mais caras do que as novas’’, afirmou o dono da Eletro Fidalgo, Amábile Rodrigues Fidalgo, que não chegou a dar nenhum lance.
Ao lado da operação de compra e venda, um grupo de 15 ex-funcionários do curtume acompanhava com ansiedade o desenrolar do leilão. Outros 100 ex-funcionários aguardavam no portão da empresa, pois foram impedidos de entrar. Eles tinham esperança de que o dinheiro do arremate revertesse em pagamento das dívidas trabalhistas deixadas pelos donos do Curtume Cutitiba, a família De Boni. ‘‘Trabalhei 30 anos no curtume. Vi esta empresa ser a líder em todo o País e acompanhei sua decadência. Dá uma tristeza ver isso aqui ser vendido’’, comentou Antonio Machado, 53 anos. Ele disse que a empresa tem com ele uma dívida trabalhista de R$ 135 mil.
O ex-colega de profissão João Maria de Assis, 57 anos, tem R$ 40 mil para receber. O total das dívidas e encargos trabalhistas chega a R$ 4,7 milhões, sendo que o passivo do curtume é de R$ 31,8 milhões. A empresa tinha cerca de 800 funcionários quando foi decretada falência, em novembro de 1995. Chegou a ter 1,5 mil, quando foi considerada a quinta maior do mundo em vendas, em 1989.
Em processos de falência ou concordata, os primeiros a receber as dívidas são sempre funcionários. Mas no caso do Cortume Curitiba havia outras pendências, entre elas, uma antecipação de crédito de exportação feita pelo Banco do Brasil, que pela lei 4728 tem de ter prioridade. O advogado do banco Egydio Clivati Júnior, que acompanhou o leilão, disse que o Banco do Brasil conseguiu no Tribunal de Justiça a reserva dos bens para cobrir os US$ 3,2 milhões que o banco alega ter de dívida. A sentença foi dada no último dia 6 pelo desembargdor Jesus Sarrão, decisão que revoltou os advogados dos ex-trabalhadores do curtume e o próprio síndico da massa falida. Brazílio Bacellar disse que já entrou com um pedido para anular judicialmente a sentença.

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