O regime automotivo comum do Mercosul, que vem sendo negociado há seis anos entre os quatro países membros do bloco, acabou sendo assinado ontem apenas entre o Brasil e a Argentina. O Paraguai e Uruguai, sócios menores do Mercosul, não só deixaram de assinar o acordo como provocaram uma das maiores confusões no jogo de forças nos quase dez anos de existência do mercado comum da região. As novas normas que vão reger o setor automotivo brasileiro e argentino entrarão em vigor no dia 1º de agosto e vão até 31 dezembro de 2005.
Pela primeira vez na história do Mercosul, o Paraguai e Uruguai acabaram desviando o rumo traçado pelo Brasil e Argentina no cumprimento de um objetivo estratégico. O ministro de Relações Exteriores uruguaio, Didier Opperti, chegou a anunciar aos jornalistas que o acordo havia sido fechado. Mas durante a entrevista coletiva, o presidente uruguaio, Jorge Batlle, informou finalmente que o acordo havia fracassado. O ministro de Desenvolvimento, Alcides Tápias, explicou que ‘‘não houve acordo nos detalhes do regime (autopeças) e que o Paraguai e o Uruguai haviam aceitado apenas a parte conceitual ou global do regime bilateral Brasil/Argentina.
A principal divergência se refere às cotas que Argentina e o Brasil pretendem impor ao Uruguai na importação de autopeças de países que não fazem parte do Mercosul. Pela proposta, Uruguai teria uma tarefa de importação de 2%, com um limite máximo de US$ 70 milhões. Mas o governo uruguaio não aceita um teto menor a US$ 200 milhões. O caso paraguaio e similar, embora nenhum dos técnicos ou ministros tenham citado cifras e números exigidos por esse país. (A.E.)

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