As primeiras conversações entre o governo do presidente Fernando De la Rúa e as províncias para assinar um novo pacto fiscal que prevê o congelamento dos gastos públicos por um período de cinco anos fracassou. Até anteontem à noite, os governadores do Partido Justicialista, que têm em mão a maior parte das províncias argentinas, exigiam que o governo federal se responsabilizasse pelos mecanismos que permitam tirar o país da crise social que começa a mergulhar devido ao forte aumento do desemprego (15,4%). Um dos mecanismos seria a transferência da administração de vários programas sociais para as províncias.
Os governadores justicialistas querem ainda a renegociação das dívidas de suas províncias e um seguro desemprego para todos os trabalhadores que perderam o emprego nos últimos 12 meses. Exigiram ainda um plano contra a fome com fundos exclusivamente para esse programa. Além disso, esperam a concretização de planos nas áreas de educação e infra-estrutura. A assinatura do novo pacto fiscal é uma das pré-condições do FMI para concluir as negociações de ajuda financeira complementar para a Argentina.
Ontem, ocorreram novos protestos no País. Cerca de cem desempregados interromperam a circulação na rodovia nacional 34, na altura de San Pedro de Jujuy (província de Jujuy, noroeste), para exigir 120 vagas de trabalho. A rodovia nacional 9 está bloqueada desde anteontem, nas proximidades de General Pacheco (província de Buenos Aires). Funcionários públicos também fizeram, ontem, protestos contra a política econômica, no centro de Buenos Aires.
Recursos O governo da Argentina deixou transparecer anteontem que já tem acertado US$ 17,5 bilhões para o pacote multilateral de ajuda financeira internacional, informou o Clarín em sua edição de ontem. O pacote, também conhecido como ‘‘blindagem financeira’’, seria composto por recursos de várias fontes, entre elas, o FMI, que entraria com US$ 9 bilhões, e os bancos Galícia, Rio e Francés, que colocariam US$ 3 bilhões à disposição do governo.

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