Fracassa ação do governo junto à Renault
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terça-feira, 06 de agosto de 2002
Rosana Félix<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Fracassou a primeira tentativa de negociação entre o governo do Estado e a direção da Renault para minimizar os impactos do Plano de Demissão Voluntária (PDV) da empresa. Em reunião ontem com a direção de Recursos Humanos da montadora, os secretários de Indústria e Comércio, Ramiro Wahrhaftig, e do Trabalho, Newton Grein, apenas ouviram da montadora que o PDV vai atingir no máximo 140 trabalhadores do total de 810 funcionários, como já havia sido anunciado na sexta-feira passada.
A Renault adotou PDV alegando necessidade de ajustar a produção à demanda. O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba se nega a homologar os pedidos de demissão. ''Não discutimos o PDV e consideramos a última opção de negociação'', afirmou o diretor sindical Núncio Manalla. Hoje à tarde os representantes do sindicato se reúnem com a empresa.
Ontem de manhã, o governador Jaime Lerner havia afirmado que iria intermediar as negociações entre os diretores e funcionários da empresa. ''Queremos que se façam coisas negociadas. Vamos tentar reduzir os impactos provocados pela situação da economia mundial e criar uma salvaguarda para os funcionários da Renault'', disse Lerner.
Segundo Newton Grein, o governo fez algumas ponderações com a direção da empresa. ''Mas a gente tem um limite. O que interessa agora é que esses 140 funcionários, que são mão-de-obra qualificada, sejam imediatamente reinseridos no mercado'', afirmou. O sindicato esperava uma ação mais efetiva do governo estadual. ''Minha visão é de que o governador Jaime Lerner não pode se contentar com essa situação, de que tem que demitir e pronto'', ressaltou Manalla. O sindicato quer marcar uma audiência com o governador.
''Apenas espero que a mesma preocupação que ele teve em ouvir a direção da empresa, ele tenha para ouvir o movimento sindical, coisa que nunca fez em oito anos'', relatou Manalla. Lerner disse ontem de manhã que iria atender os sindicalistas depois de conversar com a direção da Renault.
O PDV oferece um salário a cada 12 meses de trabalho, dois salários para cada 24 meses e 2,5 salários para cada 36 meses trabalhados. A Renault quer realizar apenas um turno na fábrica com apenas 670 funcionários. Com isso, a produção diária cairia de 325 veículos para 275 unidades. (Com Luciana Pombo)


