Ney de Souza




LegalizadosSacoleiros passam por fiscalização da Receita Federal na fronteira entre Brasil e Paraguai. Na foto de cima, Walter Negrão, idealizador da cooperativa de sacoleiros

Foz do Iguaçu será a sede de uma cooperativa nacional de sacoleiros, entidade que deverá ser criada em 60 dias. O objetivo é reunir e tirar da informalidade os 13 milhões de sacoleiros em atividade atualmente no País.
Segundo Walter de Barros Negrão, secretário da Associação de Vendedores Ambulantes Autônomos de Foz do Iguaçu, diretor da Associação Brasileira de Sacoleiros (ABS) e idealizador da cooperativa, a entidade vai importar os produtos diretamente dos países produtores - como China, Taiwan e EUA - e vendê-los aos sacoleiros de todo o Brasil.
‘‘Vamos trazer essas mercadorias legalmente, pagando o Imposto de Importação. Com isso, o pessoal não vai correr o risco de perder as mercadorias nas blitze da Receita, e o governo vai lucrar com mais impostos’’, afirmou Negrão.
O estatuto da Cooperativa Nacional de Importação e Exportação dos Sacoleiros do Brasil (Conaimexsabra) está sendo elaborado e a entidade deverá ser criada até o final de outubro. Há um ano, Negrão vem se reunindo com técnicos da Receita Federal para estudar formas de melhorar a atividade no País.
Negrão informou que os sacoleiros poderão se associar à cooperativa nas agências do Banco do Brasil em qualquer cidade brasileira, pagando uma taxa cujo valor ainda não está definido, mas vai variar entre R$ 70,00 e R$ 100,00. Já cadastrado, o associado viajará até Foz para fazer as compras no atacado. No futuro, o objetivo é implantar um sistema de compras por fax, com entregas através de caminhões da cooperativa.
As compras, de acordo com ele, serão feitas no exterior pela cooperativa com o dinheiro arrecadado da taxa de inscrição dos sacoleiros, recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e financiamentos junto ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica e ao BNDES.
Na cooperativa, os sacoleiros não terão limite de compras - já que todas as mercadorias estarão com o Imposto de Importação pago - mas o valor unitário de cada produto não poderá ultrapassar US$ 100,00. Boa parte dos eletroeletrônicos e computadores hoje comprados por brasileiros no exterior não estaria disponível na cooperativa. A cota permitida para compras no exterior hoje é de US$ 150,00.
Estudo realizado pela ABS mostrou que as mercadorias procedentes de Taiwan chegam ao mercado de Ciudad del Este, no Paraguai, custando 120% mais caro do que no país de origem. Segundo Negrão, reduzindo o número de atravessadores, a cooperativa terá condições de diminuir esse ‘‘ágio’’ para 65%. ‘‘O sacoleiro poderá vender, em qualquer cidade brasileira, pelos mesmos preços das lojas do Paraguai.’’
Outro objetivo da cooperativa é combater a evasão fiscal, legalizando a atividade dos sacoleiros. O estudo da ABS apontou que, apenas em dezembro de 95, o País deixou de faturar R$ 1,3 bilhão em impostos, apenas na fronteira com o Paraguai, devido à entrada de mercadorias ilegais trazidas por sacoleiros. Em contrapartida, a entidade quer obter a redução no Imposto de Importação, dos atuais 50% do valor da mercadoria para 30%.
De acordo com Negrão, a cooperativa vai empregar 900 pessoas em Foz do Iguaçu. O objetivo inicial é filiar 500 mil dos 13 milhões de sacoleiros do País. Quinhentos mil panfletos de divulgação serão distribuídos na fronteira Brasil-Paraguai.
O deputado federal Dejandir Dalpasquale (PMDB-SC), presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), disse ontem à Folha, por telefone, que apóia a criação da Conaimexsabra. ‘‘Todas as atividades devem se organizar em cooperativas’’, defendeu Dalpasquale.

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