Foz do Iguaçu , no oeste paranaense, poderá ser o cenário da reunião entre a ministra de Indústria da Argentina, Débora Giorgi, e o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Fernando Pimentel. O encontro pretende por fim ao impasse gerado pela decisão brasileira de exigir licenças não-automáticas para entrada de automóveis produzidos no país vizinho.
Ontem, Pimentel voltou a negar que a medida não gerou qualquer desgaste com o governo argentino, um dos principais países afetados. ''Não temos ruptura de conversação com a Argentina'', afirmou durante entrevista coletiva. Ao ser questionado a respeito de condições para a reunião com a sua colega do país vizinho, Pimentel disse que não há como haver precondições para a reunião, pois não se trata de um problema entre os dois países. ''Não tem como aceitar ou formular precondições para a conversa. Nem da parte da Argentina, nem da nossa parte'', considerou.
O ministro informou, no entanto, que uma reunião entre os dois países deve ocorrer, provavelmente, na próxima semana, e atribuiu o desconforto do país vizinho à proximidade. ''Já disse isso antes. A medida não é contra nenhum país. É para proteger a nossa indústria. A Argentina se sente mais afetada por conta da fronteira seca''.
Na opinião de Pimentel, qualquer impasse entre Brasil e Argentina pode ser resolvido com ''boa conversa''. Ele aproveitou o momento para reclamar que a Argentina não tem cumprido o prazo de até 60 dias, que é o máximo que a alfândega pode demorar para a liberação de bens em caso de licenças não-autmáticas. ''Os prazos têm sido ultrapassados amplamente, em muitos produtos, mas confio na capacidade de negociação e não há motivo para achar que haverá uma ruptura ou uma guerra comercial entre os dois países'', disse.
Débora Giorgi teria imposto Foz do Iguaçu como um local para a reunião entre as partes, descartando a possibilidade de o encontro ocorrer em Brasília. ''Vamos escolher o local. Pode ser em Foz'', afirmou. ''Nesta época do ano, as Cataratas estão cheias'', brincou.
Mais uma vez, Pimentel disse não ter interpretado a posição argentina como uma imposição. ''Entendi que havia um pedido. E precisamos entender que a ministra deve estar sofrendo uma forte pressão da indústria argentina'', analisou. Segundo ele, apesar de a medida brasileira não ter sido direcionada ao país vizinho, serviu para começar o assunto entre as duas partes. ''Isso é ótimo''. (Com Agência Estado)

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