Curiosamente a Hidrelétrica de Itaipu e o Parque Nacional do Iguaçu, responsáveis pelo desenvolvimento e pela fama internacional de Foz do Iguaçu, são os principais limitadores para que o município consolide o seu potencial industrial. ‘‘Temos uma inegável limitação física para grandes plantas industriais’’, admite o secretário de Indústria e Comércio de Foz do Iguaçu, Eron Marchiori. A grande área reservada à Itaipu Binacional ao norte, a intocável floresta subtropical do Parque Nacional ao leste, as fronteiras com Argentina, ao sul, e com o Paraguai, ao oeste, cercam a cidade. Para os distritos industriais sobrou a única opção, às margens da BR-277, ao nordeste.
‘‘Para esta região tivemos um complicador. A emancipação do então distrito de Santa Terezinha de Itaipu no início da década passada nos prejudicou em relação à atração de novos empreendimentos. O limite do município acabou ficando muito próximo ao perímetro urbano’’, queixa-se o secretário. Na região instalaram-se o Distrito do Pilar e o Distrito do Portal, ambos composto por um modesto número de barracões de pequeno e médio portes. ‘‘Não podemos conquistar indústrias a qualquer custo. A grandeza de Foz está vinculada à preservação de seu exuberante meio ambiente e da sua imagem de cidade limpa, acolhedora’’, lembra Marchiori, explicando a política industrial do município, ‘‘mais criteriosa e menos agressiva’’ que a dos municípios vizinhos.
A criação de uma cidade industrial na área limítrofe dos municípios de Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu começa a ser estudada por autoridades dos dois municípios. O projeto de autoria do vereador Celso Neves (PDT), de Santa Terezinha de Itaipu, reserva uma área de 200 alqueires nas proximidades da BR-277. ‘‘O problema é o custo um tanto elevado, que pode inviabilizar o projeto’’, revelou uma fonte ligada ao primeiro escalão da administração municipal de Santa Terezinha.
O esperado ciclo de industrialização do Extremo-Oeste beneficiará mais as pequenas cidades da região do que Foz do Iguaçu. A previsão, compartilhada por lideranças políticas de vários municípios da chamada Costa Oeste, começa a dar os primeiros sinais de que pode se concretizar. Enquanto Foz - município-pólo da região - aguarda a implantação de um megaentroncamento viário para se industrializar (leia nesta página), algumas empresas escolhem Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu e Medianeira para se instalarem e ganharem o mercado dos países do Cone Sul.
Com esta intenção foi que a Eletro-Comercial Jebai investiu cerca de US$ 1,8 milhões para montar ventiladores, isqueiros e fabricar compact discs em Santa Terezinha de Itaipu. A fábrica deve começar a produzir ainda este ano, num ritmo anual de 900 mil unidades e com um faturamento pouco superior a US$ 14 milhões. O empreendimento vai gerar 120 empregos.
Em São Miguel do Iguaçu, dois empreendimentos que começarão a funcionar no ano que vem, serão destaque no parque industrial da cidade, quase todo formado a partir da implantação do Fundo Municipal de Desenvolvimento, que financia novos empreendimentos. A primeira recicladora de latas de alumínio do Oeste do Paraná vai processar cerca de 200 toneladas anuais e faturar cerca de US$ 1 milhão e gerar 30 novos postos de trabalho.
No ramo da agroindústria, o funcionamento de um frigorífico especializado em abates de rãs e na produção de filé de peixes deve gerar 30 empregos na unidade industrial e garantir uma renda fixa para 70 produtores rurais. O único do gênero com o Certificado de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura, o frigorífico pretende destinar parte da produção - de 100 toneladas por mês - para o mercado argentino.
Medianeira parece ter ficado com a melhor parte do processo de industrialização do Extremo-Oeste. A formação anual de mão-de-obra, através do curso de Técnico em Eletromecânica da unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) que funciona na cidade, tem sido um trunfo do município nas negociações para conquistar novos investimentos. A Kolbach - empresa que produz motores e alternadores elétricos - deve investir 50 milhões de dólares na construção de uma fábrica que ocupará 450 trabalhadores, boa parte oriunda do Cefet. Serão produzidos em Medianeira, provavelmente já no próximo ano, 46 mil motores com a marca catarinense, parte destinada à exportação.

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