Foz liderou ranking do turismo em 98
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de janeiro de 1999
Edna Mendes 
O ano começou com uma boa notícia para o setor turístico de Foz do Iguaçu. Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) apontou Foz como a cidade brasileira que mais recebeu turistas estrangeiros em 1998, superando cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Curitiba e Porto Alegre.
De acordo com os dados divulgados pela Embratur, no ano passado Foz do Iguaçu recebeu 1,6 milhão de turistas estrangeiros, o que corresponde a 30% do total de visitantes de outros países que vieram ao Brasil.
Para algumas lideranças do setor turístico de Foz, os números auferidos pelo estudo não significam um crescimento de fluxo de visitantes e, muito menos, de receita. Os novos números da Embratur não correspondem à realidade, contesta Júlio Gonchorosky, diretor do Parque Nacional do Iguaçu.
Na pesquisa, realizada pela estatal do turismo, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a metodologia usada inclui, além dos turistas que viajam de avião, visitantes que atravessam a fronteira por via terrestre.
Para realizar o estudo, o instituto usou os mesmos métodos utilizados por órgãos europeus para contabilizar estrangeiros que entram naqueles países. A Organização Mundial de Turismo (OMT) passa a considerar turista o visitante que permanecer em outro país por pelo menos 24 horas.
Localizada na fronteira mais movimentada da América do Sul - Brasil, Paraguai e Argentina -, com um intenso intercâmbio comercial, Foz recebe com regularidade argentinos, paraguaios, uruguaios e chilenos, que usam as pontes da Amizade e Tancredo Neves (que ligam, respectivamente, o Brasil ao Paraguai e à Argentina) para entrar no País. No método antigo da Embratur, esses estrangeiros não eram computados.
É isso que precisa ser levado em consideração, já que grande parte dos viajantes usam Foz apenas como passagem para outros destinos do interior e do litoral brasileiro, explicou à Folha Caio Luiz de Carvalho, presidente da Embratur.
O presidente da Foztur (órgão oficial de turismo no município), Miguel Sória, acredita que o estudo feito pela Embratur pode impulsionar o turismo em Foz. Essa pesquisa é um ponto a favor da cidade e prova que a queda no turismo não afetou a procura de estrangeiros pela região. Para nós, apenas o turismo de compras caiu. Esse estudo é algo positivo nesses tempos difícieis porque vai ajudar ainda mais na divulgação do turismo local.
O presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur) e diretor regional da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Marcelo Valente, acha justa a inclusão na estatística de quem chega em Foz por via transporte terrestre, mas não entende a diferença dos resultados da Embratur com os outros estudos já realizados.
O que questionamos é o fato de que os dados da Embratur não coincidem com os dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Um deles está errado, afirma.
No ano passado, o Parque Nacional do Iguaçu, mantido pelo Ibama, recebeu cerca de 350 mil turistas estrangeiros. A reserva, a mais lucrativa do País, abriga as Cataratas. Esse número difere muito do número da Embratur, que é de 1,6 milhão. Talvez o estudo tenha levado em conta os estrangeiros que entram todos os dias na cidade, por ela ser fronteriça com Paraguai e Argentina, disse Júlio Gonchorosky.
Mesmo com a disparidade dos números entre o Ibama e a Embratur, no Réveillon de 98 os hotéis da cidade sofreram uma verdadeira invasão de turistas - a maioria estrangeiros. De acordo com dados do Sindicato dos Hotéis, a ocupação média nos principais estabelecimentos de Foz durante as festas de final de ano foi de 95%, um acréscimo de 10% em relação ao ano de 1997.
O número de diárias no setor turístico também aumentou. O tempo médio de permanência na cidade subiu de uma variação de três a quatro dias para um período de cinco a sete dias.
Segundo o presidente do sindicato, Carlos Tavares, um dos motivos que ajudou a aumentar a procura por Foz foi a queda de cerca de 10% no preço dos pacotes. A redução no valor dos pacotes foi fundamental para atrair mais turistas no Réveillon. Além disso, as parcerias com os hotéis, que tradicionalmente não realizam festas de Réveillon, mas que hospedaram turistas que passaram a virada do ano nos hotéis de luxo foi muito importante, explicou. Entusiasmados com o resultado do Réveillon de 98, os hoteleiros de Foz do Iguaçu já começam a se preparar para a festa de 1999. Os hotéis deverão investir numa grande campanha publicitária para atrair turistas.


