Maria Tereza Boccardi Especial para a Folha
Órgãos da saúde e de defesa do consumidor vão iniciar fiscalização conjunta para combater a venda de carne clandestina em Foz do Iguaçu. Estima-se que 60% da carne bovina e cerca de 80% da carne suína consumidas na cidade são de origem desconhecida e não passam por inspeção. O problema foi debatido ontem, durante uma audiência pública entre autoridades, representantes de associações e comerciantes.
A falta de pessoal para a fiscalização nos órgãos competentes é apontada como a principal causa do problema. ‘‘O abate no frigorífico aumenta em até 40% quando há fiscalização intensa’’, afirma Claudemir Balotin, administrador do frigorífico municipal - o único em Foz a possuir o serviço de inspeção. No frigorífico, são abatidas, em média, 200 bois por semana, número que já foi bem maior, segundo ele.
Técnicos do Procon (órgão de defesa do consumidor) informaram que a carne clandestina é encontrada com maior frequência nos bairros mais pobres. Eles também observaram que a carne de origem desconhecida é vendida ao mesmo preço das carnes inspecionadas para não chamar a atenção de fiscais e consumidores.
Segundo o presidente da Associação de Comerciantes de Carnes Inspecionadas (Acocifi), Clóvis Antonio Balotin, a venda de carne clandestina prejudica os comerciantes que trabalham com produto inspecionado. ‘‘Além de colocar a saúde da população em risco, a carne clandestina não tem qualquer custo operacional.’
O chefe do Serviço Agropecuário do Ministério da Agricultura em Foz do Iguaçu, João Alberto Nakamura, informou que, uma vez por mês, os fiscais, junto com uma equipe auxiliar que virá de Curitiba, farão a fiscalização dos produtos de origem animal vendidos no comércio da cidade.
O Ministério da Agricultura tem a competência para ditar as normas para a comercialização. A fiscalização, no entanto, é de responsabilidade de Estados e municípios. De acordo com Nakamura, o órgão tem maior atuação na importação e exportação desses produtos.

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