Foz do Iguaçu quer centralizar setor de transporte e eventos
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de março de 1998
Valmir Denardin 
Centro geográfico do Mercosul, Foz do Iguaçu quer aproveitar essa posição privilegiada para se tornar o maior pólo continental de transporte de cargas por ferrovia e hidrovia. Além disso, a cidade paranaense, na fronteira do Brasil com Argentina e Paraguai - dois dos três outros parceiros do acordo tarifário -, pretende transformar-se em um grande centro de feiras e eventos.
Dentro do Mercosul, Foz é o lugar que apresenta as melhores oportunidades de investimento. A cidade congrega todo o processo hidroviário do Mercosul e, com a Ferroeste, vai congregar também o sistema ferroviário, aposta o prefeito Harry Daijó (PPB). Foz está no centro do complexo hidroviário Tietê-Paraná-Rio da Prata, que une os principais pólos econômicos do Mercosul - São Paulo e Buenos Aires.
A utilização dos rios que cortam a região para o transporte de mercadorias já começou. No ano passado, os portos do sistema embarcaram 1,2 milhão de toneladas de mercadorias, principalmente produtos agrícolas e minérios, com destino ao mercado interno, aos países do Mercosul e à Europa. Segundo especialistas, o transporte hidroviário é até 50% mais barato que o transporte por rodovias.
Desde fevereiro, com a inauguração da eclusa de Jupiá, no Rio Tietê, pelo governo paulista, o trecho navegável no sistema Tietê-Paraná atingiu 2,4 mil quilômetros. O único empecilho para a navegabilidade completa até o Oceano Atlântico, no Estuário da Prata (que divide Argentina e Uruguai), é a represa da Hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu.
Como a previsão de custos da construção de uma eclusa em Itaipu (cerca de US$ 2 bilhões, 17% do valor total da usina) praticamente inviabiliza a obra, Foz quer lucrar com isso. A cidade planeja construir um porto multimodal (dois pontos de embarque no Rio Paraná: um acima e outro abaixo da barragem de Itaipu) para a transferência das cargas transportadas pelas embarcações que sobem e descem o rio. A conclusão dessa obra está prevista para o ano 2000.
Sendo um grande depósito de mercadorias, Foz também poderá se tornar um pólo de exposições, feiras e outros eventos, prevê o matemático e administrador Luiz Carlos Kossar, diretor do Departamento de Informações Institucionais da prefeitura, um dos principais estudiosos da macroeconomia da Tríplice Fronteira.
No ano passado, Foz do Iguaçu se consolidou como um dos principais centros de eventos do Brasil. A cidade sediou cerca de 90 feiras, congressos e exposições, que injetaram R$ 20 milhões na economia local. Nesse ponto, a localização de Foz é privilegiada: a aproximadamente mil quilômetros de distância dos principais centros da América do Sul, como São Paulo, Buenos Aires e Santiago. Fica mais fácil um empresário do Chile vir a uma exposição em Foz do que ir a São Paulo, compara Kossar.
Em relação à extensão da Ferroeste até Foz do Iguaçu, o primeiro passo foi dado neste mês. O governo do Estado publicou o edital para a contratação da empresa que fará o projeto de engenharia do ramal de 179 quilômetros da ferrovia, entre Cascavel e Foz. Com esse trecho, as cargas que chegarão a Foz pelos rios, poderão ser exportada pelo Porto de Paranaguá. A divulgação da empresa de consultoria vencedora vai ocorrer no dia 17 de abril.


