O fortalecimento da cidadania é a estratégia que deve ser adotada pelos governos para diminuir a pobreza em regimes democráticos. Essa foi a principal conclusão do Fórum realizado este mês, em Estocolmo (Suécia), para discutir barreiras e estratégias para vencer o problema em países de regime político livre.
Os participantes do Fórum, reunidos em comissões que discutiram bom governo, participação, cidadania, direitos, corrupção e o papel dos doadores, ressaltaram as ações específicas que se deve adotar para promover a integração da democracia com a redução da pobreza. Nesse âmbito, assinalaram que os governos sofrem condicionamentos de organismos financeiros internacionais, criticaram algumas instituições democráticas dos países em desenvolvimento e anotaram que a qualidade dos líderes políticos é baixa, assim como é alta a corrupção, e pouco organizados os pobres na luta para a tomada de decisões de seu interesse.
Disseram, também, que para que haja um bom governo são necessários programas que reforcem sindicatos e partidos políticos, que sejam transferidos mais recursos aos níveis municipais de governo, e que haja maior transparência por parte de organismos financeiros multilaterais na concessão de créditos e ajuda.
Para aumentar a consciência dos direitos e da cidadania entre os mais pobres, os participantes sugeriram maior poder aos estados e campanhas de alfabetização. Como exemplo de mulheres pobres que se envolvem com a política, o fórum apresentou o programa do Banco Grameen, implantado por Mohammed Yunus, de Bangladesh, que outorga pequenos créditos, a juros baixíssimos, para pessoas pobres, 95% das quais mulheres. Yunus assegurou, em Estocolmo, que as mulheres que recebem empréstimos melhoram a sua condição econômica e social e começam a se interessar pelos seus direitos políticos, de informação e de capacitação.
O IDEA, a organização promotora do encontro, tem representação de 14 países, de diferentes regiões do mundo, e se reúne a cada seis anos, com o objetivo de promover a democracia. Entre outras atividades, desde 1995, realiza um fórum para debater os diferentes problemas da democracia. O último fórum, em 1999, discutiu a falta de participação da juventude, o de agora a redução da pobreza, e o próximo será sobre as oportunidades e ameaças da revolução da informática em relação à democracia.

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