Fórum rejeita reformas sindical e tributária
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quinta-feira, 28 de abril de 2005
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os empresários e parlamentares da Região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) rejeitaram, ontem, a aprovação das reformas sindical e tributária como elas foram apresentadas. Os empresários se reuniram em Florianópolis (SC), no Fórum Industrial-Parlamentar Sul, quando concluíram que essas reformas não são positivas para o crescimento do País e, por isso, não devem ser votadas. Os empresários e parlamentares vão marcar uma audiência com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para comunicar o resultado do fórum.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, o texto da reforma sindical que já está na fila para ser votada no Congresso, concentra poder na mão de ''algumas centrais sindicais, não de todas'' e cria conflitos entre patrões, empregados e sindicatos. O empresário salientou que o texto da reforma sindical que foi para o Congresso não corresponde aos entendimentos firmados entre patrões e empregados no Fórum Nacional do Trabalho, o que ele considera ''uma falta de respeito''.
Entre os pontos mais atacados do novo texto, está o aumento no número de representantes dos sindicatos dentro das empresas, com a indicação de um representante a cada 30 funcionários. Se uma empresa tem 900 funcionários, deve contar com 27 representantes de sindicatos dentro dela. ''A reforma é anacrônica'', resumiu Loures.
Outra modificação relevante, apontada pelos empresários, foi a necessidade da votação conjunta das reformas sindical e trabalhista. Segundo Rocha Loures não há como dissociar a discussão dessas reformas, consideradas vitais diante da possbilidade de criarem ambiente favorável ao crescimento econômico.''Os empresários querem o direito de negociar o parcelamento das férias durante o ano, conforme a capacidade de pagamento de cada empresa, e não há como decidir antes a refoma sindical dissociada da trabalhista'', argumentou.
Na reforma tributária, os empresários defendem que as emendas devem se concentrar na esfera federal, ''onde há um cipoal de impostos e contribuições que provocam a sobrecarga tributária sobre as empresas'', disse Loures. Segundo o empresário, a reforma está concentrada na unificação do ICMS, cuja medida pode não ser vantajosa aos interesses do Sul, onde as alíquotas podem ser até elevadas para atender a necessidade de financiamento dos estados mais pobres.
Ainda de acordo com Loures, os empresários do Sul defendem uma reconfiguração do sistema tributário brasileiro que deve ser alinhado à políticas de desenvolvimento econômico que facilitem as exportações e o crescimento das empresas. A categoria também cobra uma mudança de atitude do governo federal, que deve gastar menos ao invés de arrecadar mais. ''O setor público deve ser mais produtivo'', recomendou.


