O Fórum Estratégias para o Desenvolvimento Sustentável de Londrina e Região terminou ontem com a indicação de que o debate sobre a criação de um parque industrial próximo à Mata dos Godoy, na zona sul, deve mesmo ser decidido na Justiça. Na mesa de encerramento do evento, no auditório do Sest/Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte), representantes de entidades ambientais rejeitaram a transformação de parte da zona de amortecimento do parque em área urbana, enquanto representantes da Prefeitura disseram que não comentam aspectos técnicos devido à disputa judicial.
A mudança foi aprovada no Plano Diretor de Londrina, sancionado pela Prefeitura no início do ano, e libera a construção de um parque industrial dos tipos ZL-3 e ZL-4, que são de alto impacto ambiental e envolvem atividades como fabricação de produtos químicos. No entanto, a ONG MAE (Meio Ambiente Equilibrado) foi à Justiça e conseguiu liminar, por meio de Ação Civil Pública, para impedir a expansão. Isso porque o Plano de Manejo aprovado em 2002 e a legislação federal específica determinam que a zona de amortecimento deve permanecer rural, para proteger o parque da Mata dos Godoy, considerado uma unidade de conservação da Mata Atlântica.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e Secretário Municipal do Ambiente, José Carlos Bruno de Oliveira, afirmou que não pode se manifestar tecnicamente, assim como a Prefeitura, enquanto a questão estiver na Justiça. "Vamos aguardar a decisão do processo judicializado, porque não somos militantes da causa A ou B. Somos gestores públicos, temos responsabilidade e devemos respeitar a média ponderada da sociedade de Londrina."
Assessora do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Margareth Pongelupe disse que o objetivo de ter um parque industrial na zona sul é facilitar o crescimento econômico da região, com logística e facilidade de deslocamento para a população. "É uma política de desenvolvimento para serviços e indústrias, sem que sejam poluentes, mas para tentar criar uma simbiose entre empresas do mesmo ramo", afirmou Margareth, que representou o presidente da Codel, Bruno Veronesi, esperado no evento.
Se o posicionamento público na Prefeitura é de aguardar a decisão judicial, para os ambientalistas não pode ocorrer relativização dos riscos ao parque. O professor José Marcelo Torezan, do Laboratório de Biodiversidade e Restauração de Ecossistemas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirmou que a zona de amortecimento também serve para abastecer os mananciais que fornecem água para Londrina e cidades da região, como os ribeirões Cafezal e Apertados.
Torezan considerou ainda que não se pode dizer que a Mata dos Godoy tem apenas 690 hectares, porque o parque é um fragmento da mata de quase 3 mil hectares da zona de amortecimento e que não é protegido como deveria. "Dizem que é preciso descobrir a vocação daquela região, mas já foi descoberta. Essa região é um celeiro ambiental, que presta serviços de regulação do clima regional, é um manancial de abastecimento, tem agricultura familiar e já gera valor."
Para a promotora do Meio Ambiente de Londrina, Solange Vicentin, Londrina já conta com 16 parques industriais que somam 2.147 imóveis, dos quais 1.483 ocupados. Ela citou que muitos estão vazios porque causaram problemas ambientais, por falta de planejamento, gerenciamento e infraestrutura. "Chega dessa coisa do mercado imobiliário especulativo mandar nessa cidade. Não é pelo preço da terra, mas pela qualidade de vida das pessoas", disse.

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