Fórum regional da Fiep foca em plano de industrialização local
Ciclo de debates que percorre o Paraná busca mapear demandas regionais para impulsionar a industrialização no Estado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de maio de 2026
Ciclo de debates que percorre o Paraná busca mapear demandas regionais para impulsionar a industrialização no Estado

Cidades que apostam na expansão do seu parque industrial e no incentivo à manufatura regional registram avanços significativos na composição do PIB (Produto Interno Bruto), consolidando a industrialização como a principal geradora de empregos qualificados e responsável pelo aumento da arrecadação tributária. Ao transformar matérias-primas em produtos de maior valor agregado, os municípios não apenas elevam a renda per capita local, mas criam um efeito multiplicador que fortalece a infraestrutura e a competitividade de toda a região frente ao mercado global.
Com o objetivo de descentralizar o desenvolvimento produtivo, os Fóruns Regionais da Indústria são uma estratégia da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) para impulsionar o setor em todo o Estado. A iniciativa busca integrar lideranças industriais e parceiros-chave na construção de uma política industrial sólida, capaz de gerar impactos positivos desde a economia municipal até o cenário estadual.
O evento, que em 2026 completa três edições, percorre todas as regiões do Paraná. O ciclo estadual começou em março, em Francisco Beltrão, e passou por Guarapuava, Irati, Cascavel, Maringá, Ponta Grossa e Curitiba antes de ser encerrado, nesta sexta-feira (8), em Londrina.
Em um ano eleitoral, o evento tem também o papel de contribuir com os candidatos aos cargos eletivos para a construção de seus programas de governo de modo que suas propostas estejam alinhadas aos reais interesses e necessidades do setor produtivo.
“Londrina sempre pecou por não ter indústrias e se baseou em comércio e serviços. Agora, com a Fiep por trás, Londrina pediu ontem (quinta-feira) ao prefeito (Tiago Amaral) para fazer um planejamento para industrializar a cidade”, adiantou o presidente interino da Fiep, Virgílio Moreira Filho. Ele apontou como uma das grandes vantagens do município a disponibilidade de amplas áreas territoriais aptas a abrigarem novas indústrias. “A Fiep tem uma política industrial para todo o Estado e vai criar uma política industrial menorzinha para Londrina, para aumentar o PIB do município e tornar Londrina muito maior, com indústrias.”
Moreira Filho destacou a união de lideranças locais e das entidades de classe em torno do mesmo objetivo, o que ele considera fundamental para a elaboração de um plano de atração de investimentos. “Nós vamos fazer um trabalho a quatro mãos. Não é um processo rápido. Mas a Fiep, como representante de 80 mil indústrias e 104 sindicatos diferentes, vai tentar direcionar para Londrina as novas indústrias.”
Gargalos
O superintendente da Fiep, João Arthur Mohr, destacou a infraestrutura como um dos principais gargalos ao desenvolvimento industrial do Norte do Paraná como um todo. Noventa por cento de toda a carga que chega ou sai da região de Londrina é transportada por caminhão, o que torna a ampliação do modal rodoviário uma das principais demandas da região. “A gente precisa ter rodovias duplicadas, ter o Contorno Norte de Londrina, que está previsto no novo modelo de concessão das rodovias, e outras vias que desafoguem a cidade, que retirem o tráfego de caminhões de dentro de Londrina.”
A infraestrutura aeroportuária é outra preocupação. O terminal londrinense passou por obras importantes recentes, que ampliaram e modernizaram a sua estrutura, a novela do ILS finalmente chegou ao fim, com a instalação do equipamento de auxílio à aproximação de aeronaves em condições climáticas ruins, mas agora é preciso aumentar o número de voos chegando e partindo da cidade.
“Temos um potencial gigante aqui no Norte do Paraná como um todo. Precisamos oferecer e ter essa infraestrutura disponível. Então, rodovias, aeroportos, ferrovias para tirar essas cargas de granéis sólidos, granéis líquidos, contêineres das rodovias. Então, a gente tem que trabalhar de forma conjunta todos os modais para que a gente tenha um menor custo logístico e, consequentemente, a nossa indústria seja mais competitiva”, disse Mohr.
Para a melhoria da infraestrutura regional, a Fiep trabalha juntamente com a governança local. “É muito importante que as lideranças da região se unam e trabalhem em conjunto. A Fiep dá todo o apoio, todo o suporte técnico. Por exemplo, nos pedágios, a Fiep lançou o observatório que é uma ferramenta a qual qualquer cidadão tem acesso. Pelo observatório, é possível saber quando vai ser feita uma duplicação ou quando o Contorno Norte de Londrina ficará pronto. E a Fiep participa das reuniões tripartite, com a ANTT e representantes dos usuários do pedágio, para acompanhar a execução das obras previstas em contrato.”
Para sanar a dificuldade de mão de obra qualificada, outro problema que afeta não só as indústrias da região de Londrina, mas de todo o Paraná, Mohr defende a adoção de ferramentas tecnológicas e o investimento em automação, com maquinários que para operar demandam um menor número de trabalhadores. Atenta a essa demanda, no próximo mês de agosto a Fiep promove a Expo+Indústria 2026, a primeira edição da feira voltada à inovação, produtividade e geração de negócios, que será realizada em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba).
Localização
Um dos articuladores do plano de expansão industrial de Londrina, o coordenador do Conselho Regional Norte da Fiep, Valter Orsi, citou a distância entre Londrina e o Porto de Paranaguá como uma das principais fragilidades da Região Norte, o que eleva os custos com o pedágio. “É um ponto que pesa porque você passa a ter um custo que muitos outros não têm”, disse ele. “No entanto, outros municípios pequenos falam tanto em buscar industrialização, mas eles não têm nem um parque industrial, não têm uma legislação específica. Hoje, para você se instalar em uma cidade, é preciso ter segurança jurídica e as prefeituras pequenas não têm esse suporte.”
É esse apoio aos municípios da região que o Conselho Norte da Fiep vem atuando para garantir. “Estamos levando para eles o que precisam, buscando dar respostas às suas necessidades. É assim que nós vamos fazer”, apontou Orsi. “É muito difícil industrializar um município. A competitividade é muito grande. As pessoas falam como Ponta Grossa cresceu, mas cresceu porque não tem mais espaço em Curitiba e Ponta Grossa é uma cidade perto do porto.”
Além de uma maior aproximação com a Fiep, buscando favorecer a Região Norte, Orsi ressaltou que essa é uma pauta que será encaminhada aos futuros candidatos ao governo do Estado. “Aumentar a industrialização é um trabalho de formiguinha, é uma conscientização, é um trabalho longo, mas dá tempo de recuperar e sabe por quê? Londrina é uma das poucas cidades (do Paraná) que têm um espaço muito grande para a industrialização, enquanto outras cidades já estão com um gargalo. Nós temos alguns milhões de metros quadrados que podem ser para grandes indústrias.”


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


