RIO - O grupo temático da Câmara de Comercialização do Fórum Nacional de Agricultura propôs ontem, no Rio de Janeiro, a criação de uma Câmara Brasileira de Comércio Exterior do Agribusiness, formado pelo representantes do governo, setor acadêmico e setor privado _ este último com presença majoritária. A câmara teria poder decisório.
O grupo quer ainda que seja instalado um novo sistema nacional de comercialização, que incluiria a criação de um sistema nacional de bolsas de físico (negociação física de produtos). Também foi proposto o fortalecimento dos mercados de futuro e de opções. A intenção é que essas propostas, se tornadas realidade, sirvam já para a comercialização da safra 1996/97. Segundo o coordenador do grupo, Nelson Mamede, com as propostas, o Brasil terá condições de vir a formar os preços dos seus produtos internamente. ‘‘A bolsa de futuro de Chicago é quem acaba determinando os preços dos produtos primários no Brasil’’, explicou.


Empresários
pedem novo sistema
nacional de
comercialização

De acordo com Mamede, para a formação interna dos preços, as bolsas de futuro já existentes no Brasil e outras que poderão ser criadas terão papel fundamental. ‘‘Estas bolsas já operam, mas de modo descoordenado, e não traduzem a ansiedade dos produtores brasileiros’’. Ele estima que com a adoção das medidas propostas pelo seu grupo, o sistema de comercialização da safra brasileira deverá melhorar em 50%.
O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, disse que a proposta do fórum é compatível com a política de liberalização do setor, adotada pelo ministério. ‘‘Nós não pretendemos soltar o setor, mas queremos dar autonomia aos agricultores’’, disse Porto, lembrando que as salvaguardas para a remuneração do produtor continuarão com o ministério.

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