Fórum propõe parceria do PR e União para gerenciar Copel
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quinta-feira, 01 de novembro de 2001
Maria Duarte<br>De Curitiba 
O Fórum Popu lar Contra a Venda da Copel aproveitou o adiamento do leilão de venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel) para propor que a empresa seja gerenciada pelos governos federal e estadual. ''É uma proposta alternativa, para que a Copel não seja vendida'', explicou o coordenador-executivo do fórum, ex-deputado Nelton Friedrich. Ele lembrou que o BNDESpar detém 24,4% de participação acionária na Copel, e o governo do Estado 31,1%.
''Seria o controle público, através de uma diretoria mista. A Copel serviria de empresa modelo, que poderia balizar os preços no mercado de energia'', avaliou Friedrich. A organização do fórum pretende se reunir no início da próxima semana com representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e apresentar a proposta alternativa à agência. ''É o momento de se discutir propostas diferentes. O mercado não tem mostrado interesse na compra. Os interessados não depositaram as garantias, e a Copel não pode ser vendida como se fosse final de feira'', ponderou Friedrich.
O Fórum anunciou também que vai entrar com mais cinco ações na Justiça com o objetivo de impedir que a Copel passe para as mãos da iniciativa privada. ''E vamos recorrer de todas as liminares que foram derrubadas'', prometeu. Segundo o advogado do movimento, Guilherme Amintas, mais de 90 ações tramitam na Justiça estadual e federal na tentativa de barrar o processo de privatização.
De acordo com Friedrich, o governo poderia conseguir recursos através de créditos a receber, como no caso de obras que são de encargo do governo federal mas foram realizadas pela administração estadual. Segundo ele, o Estado poderia pedir ressarcimento. Ele citou como exemplo a Estrada Ferroviária Central do Paraná.
A bancada de oposição na Assembléia Legislativa quer votar novamente o projeto de iniciativa popular que impedia a venda da estatal. O bloco espera que a estatal de energia não seja privatizada antes que a nova sessão se realize. ''Temos que votar, em respeito ao povo, mesmo que a Copel seja vendida'', disse o deputado Caíto Quintana (PMDB). Foi o primeiro projeto popular da história da Assembléia do Paraná.
O Palácio Iguaçu não pretende recuar e continua firme no propósito de vender a empresa em bloco único (geração, transmissão e distribuição). Entretanto, uma ala de deputados defende a manutenção da geração nas mãos do Estado.


