São Paulo - A cada ano aumenta a impressão de que os ideais do Fórum Social Mundial estão cada vez mais presentes no Fórum Econômico Mundial de Davos (Leste da Suiça), que terminou ontem após debater durante cinco dias as perspectivas econômicas mundiais. Pelo programa, é possível reparar que assuntos como pobreza, crescimento com justiça e efeitos da globalização sobre a vida das pessoas ganharam espaço. As informações são da Agência Brasil.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, por exemplo, diante de uma platéia formada pelos mais bem-sucedidos empresários do mundo, pediu que não deixem de vislumbrar o lucro, mas que conciliem esse pensamento com a melhoria da qualidade de vida daqueles que ainda não integram a massa de consumidores.
Assuntos que em outras oportunidades permaneciam na esfera das megacorporações, como o uso de novas tecnologias, corte de funcionários para combinar produtividade com gastos, endividamento das companhias, entre outros, passaram a coexistir com preocupação ambiental e atendimento de comunidades ligadas aos processos de produção.
Assim como no ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu a criação de um fundo mundial para combater a fome, em 2004 a voz do ''mundo do Sul'', percebe-se, está mais grave.
Ministros do comércio do Brasil e do Egito chamaram a atenção durante os dias da realização de Davos por cobrar, de modo pragmático, a eliminação dos subsídios que os países desenvolvidos destinam às suas exportações. O pleito serve, na verdade, para mostrar que a sobrevivência de milhares de agricultores que estão abaixo do Equador depende do que eles cultivam para sobreviver.
Este ano um inédito número de participantes cancelou de última hora sua viagem para Davos. Os presidentes da Argentina, Néstor Kirchner, e do Peru, Alejandro Toledo, também cancelaram sua participação, deixando para o equatoriano Lucio Gutiérrez a difícil tarefa de representar a América Latina.
De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, as nações pobres não querem ''caridade''. Desejam, sobretudo, condições de competir em pé de igualdade com as nações industrializadas. O presidente do Instituto Ethos de Solidariedade, Young Silva, afirmou que um dos temas discutidos com profundidade em Davos é a questão do desemprego, que aparece lado-a-lado com a das condições subumanas de trabalho.
Lembrou que na abertura do fórum, o ministro da economia da Suíça país que detém condições invejáveis no que diz respeito ao desenvolvimento humano disse que é preciso políticas mais inclusivas. ''Houve uma mudança radical na agenda de Davos nos últimos três anos. Até mesmo os encontros que reuniram empresários e representantes de organismos não-governamentais (ONGs) não apresentaram tensões como no passado'', destacou Silva.

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