Fórum defende pacto com indústrias de insumos
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sexta-feira, 09 de abril de 1999
Guto Rocha 
Um pacto entre agricultores e a indústria de insumos é a saída mais viável para amenizar os efeitos da desvalorização do real em janeiro nos custos de produção. A agricultura é parceira do setor de insumos, e sem nós eles não sobreviverão, disse o secretário da Agricultura do Piauí, e presidente do Fórum Nacional de Secretários de Agricultura, Francisco Haroldo Alves Vasconcelos, ontem em Londrina durante a reunião mensal da entidade. O encontro reuniu secretários e representantes da indústria de fertilizantes, defensivos, sementes e máquinas agrícolas.
Se houve incremento no custo de produção dos insumos, que eles sejam repassados de forma justa, afirmou Vasconcelos. O presidente do Fórum afirmou que estudos apontam que em alguns Estados os preços de agrotóxicos tiveram altas de até 80%. O superávit de US$ 11 bilhões na balança comercial este ano exigido pelo acordo com o FMI dificilmente será atingido se a agricultura não tiver estas distorções corrigidas, afirmou.
O diretor do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná, Richardson de Souza, disse que em março, os preços dos agrotóxicos tiveram alta de 70%, os fertilizantes aumentaram 40% e as máquinas agrícolas subiram 10%. O que preocupa é o impacto que estas altas podem ter nas safras de inverno e verão, uma vez que o custo de produção no Paraná sofreu alta média de 20%, afirmou. Segundo o diretor do Deral, esta alta pode provocar a redução do uso de tecnologia, resultando produção menor com custo elevado, o que prejudica a rentabilidade do setor.
O presidente do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas de São Paulo, José Fernando Sampaio, argumentou que a elevação refletiu o comportamento do câmbio. Quando o dólar subiu os preços acompanharam, agora que está caindo, os preços também cairão, comentou. Segundo ele, os preços dos produtos fosfatados tiveram alta de 4,6% em janeiro e 31,7% em fevereiro, enquanto o dólar ficou 26% e 59,4% mais alto neste período. Segundo ele, entre 60% e 70% dos produtos utilizados na formulação são importados.
Para o presidente da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Christiano Simon, o setor produtivo deve considerar que a alta do dólar também beneficiou, principalmente os produtos de exportação. No final vai haver um equilíbrio entre alta de insumos e os ganhos dos produtores, disse. Simon afirmou que o setor de defensivos teve uma queda de 34% nas vendas em fevereiro com a alta do dólar.
Segundo ele, a indústria de defensivos recorreu à 63 Caipira para captar recursos no exterior. Dos US$ 1,75 bilhão captados no ano passado, 70% entraram por esta linha de crédito formada por moeda forte, que foi repassada aos produtores. Agora temos que pagar na mesma moeda, argumentou.


