Fórum debate uso de tecnologia limpa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de agosto de 2006
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Especialistas e fabricantes do ramo de motores diesel estão reunidos em Curitiba para discutir como o Brasil vem se adequando às tendências do mercado global para atender a demanda futura por tecnologia limpa. Os organizadores do 3º Fórum Sociedade de Engenheiros da Mobilidade de Tecnologia de Motores Diesel (SAE) - Seção Paraná e Santa Catarina elegeram Curitiba para sediar o evento por conta do perfil do transporte coletivo, que já realiza testes com combustíveis alternativos, e por ser um importante pólo de desenvolvimento e produção de motores, componentes e sistemas para motores diesel.
Nos últimos anos, a indústria tem investido em tecnologia para atender às demandas legais, lembrou o gerente do projeto Fórum Diesel, Rubens Avanzini. A Resolução nº 315/02 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) instituiu o Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proncove) -cujas normas ficaram conhecidas por P5 e P6- estabelecendo novos padrões de emissão de gases e ruído para os motores veiculares e veículos automotores nacionais e importados. Isso, com o objetivo de reduzir a poluição e economizar combustível. A P5 entrou em vigor em janeiro deste ano. A P6 passa a valer em janeiro de 2009 e impõe limites ainda mais restritivos.
Segundo Avanzini, os dispositivos brasileiros para fabricação de motores diesel correspondem às normas euro 3 e euro 4, enquanto os países desenvolvidos já utilizam padrão mais avançado, baseado na euro 5. ''Nós temos uma defasagem de dois anos, mas há que se considerar que não são mudanças que acontecem do dia para noite. É preciso tempo para se adaptar'', ponderou.
Um exemplo da preocupação dos fabricantes instalados no Brasil em aprimorar seus produtos é o da Bosch. A empresa que tem uma unidade em Curitiba e é pioneira em tecnologia diesel investiu cerca de 100 milhões de euros de 2004 para cá na atualização de sua linha de produção de bicos injetores para adequá-la à legislação ambiental, informou o vice-presidente da Divisão de Sistemas Diesel, José Mauro Pelosi. Segundo ele, a produção dos injetores Common Rail atinge 1 milhão de unidades, sendo que perto de 60% desse volume são exportados para Europa e Estados Unidos.
Por meio da assessoria de imprensa, o presidente do Fórum, Richard Streck Neto, destacou que os debates estarão centrados na tecnologia diesel no século 21, abrangendo o futuro dos motores e as novas tecnologias que serão usadas para promover o crescimento da participação dos motores no mercado. Isso não só para atender os desejos dos usuários, mas também para cumprir às novas legislações de emissão de escapamento e de ruído. Além da nova etapa do Proncove, o biodiesel e o H-Bio devem ter um grande desenvolvimento nos próximos anos como fonte renovável de combustível para motores diesel no Brasil. O encontro termina hoje.


