Fórum debate mudança na gestão de pessoas
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Edivaldo Magro<br> Especial para a FOLHA 
Talento e dom são coisas distintas - e no mundo corporativo é importante saber a diferença para potencializar competências profissionais no âmbito empresarial. A lição é do professor e consultor Hugo Nisembaum, um dos palestrantes do 3º Fórum de Recursos Humanos, realizado ontem em Maringá pela Associação Brasileira de Recursos Humanos do Paraná (ABRH Noroeste).
''Acompanhar e desenvolver talentos são uma das principais ferramentas de gestão de pessoas - e entenda-se por ''talento'' padrões frequentes de pensamentos, sentimentos e comportamentos, que podem ser aplicados produtivamente'', afirma Nisembaum. O conceito que foi tema do evento já é aplicado com sucesso por muitas empresas, conforme ''cases'' apresentados durante o fórum.
Identificar competências expressas em talentos específicos para a execução de determinadas atividades profissionais é o desafio do gestor de recursos humanos, que para isso conta com um ''mapa'' desenvolvido para orientar o trabalho, nem sempre fácil. De acordo com Nisenbaum, esse ''mapa'' permite a identificação de três tipos básicos de talentos, apurados a partir de um teste que pode ser feito em 20 minutos.
Os talentos de orientação, pensamento e relacionamento se sobressaem no ''mapa'' onde constam 36 habilidades possíveis de identificação, sendo que essas três se subdividem em outras competências contidas no protocolo para uso dos gestores de pessoal. A convicção às vezes comum entre certas pessoas de que não têm talento ou não dispõem de uma habilidade especial para prosperar na carreira não procede, segundo especialistas em RH.
Essa sensação prosperaria na identificação precoce dos pontos fracos, aos quais se consagra mais atenção do que aos pontos fortes. Na maioria das culturas do mundo - e a nossa não é exceção - as pessoas dedicam mais tempo e energia a pesquisar suas fraquezas. Isso independe de faixa etária, de riqueza ou pobreza, de muita ou pouca educação. A fixação nas fraquezas está arraigada na nossa educação, afirma Nisembaum.
Para justificar essa percepção, o consultor parafraseia Peter Drucker, considerado um ''guru'' da administração moderna, e lembra que em vez de se gastar tempo e energia tentando consertar os pontos fracos, se ganha muito mais potencializando os pontos fortes. Nesse contexto, o trabalho do gestor de recursos humanos ganha relevo na medida em que cabe a esse departamento identificar e potencializar talentos que se ''escondem'' na empresa.
''Dentro de uma hóstia pode ter sempre uma pérola'', brinca Nisembaum, para insistir na tese de que todos têm algum talento e pode ser descoberto pelo esforço pessoal ou com a participação do gestor de pessoal para atender necessidades da empresa. Ele defende que antes de buscar um profissional no mercado para o preenchimento de cargos específicos, a empresa tente identificar o perfil procurado entre seus colaboradores.
Nisembaum, por experiência própria enquanto consultor, sustenta que todas as empresas têm em seus quadros talentos desconhecidos ou que se ocupam de atividades que não exploram suas habilidades naturais, que muitas vezes conspira contra a eficiência do empreendimento. ''Uma equipe afinada e no exercício de seus talentos potencializam a performance de uma empresa, indiferente da atividade a que se dedica'', afirma o consultor.


