São Paulo - O pedido para as Nações Unidas atuarem na garantia de um mercado agrícola mundial mais justo foi um dos pontos sublinhados pelos movimentos sociais e ONGs reunidos no Fórum da Sociedade Civil em documento entregue na manhã de ontem ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan. ''Dos 850 milhões de pessoas em risco de fome no mundo, 550 milhões são camponeses. Isso por causa do dumping promovido por empresas multinacionais'', afirmou o ativista francês José Bové, um dos escolhidos pelo fórum para oficialmente entregar a declaração a Annan.
Para o representante da Via Campesina, entidade internacional de pequenos agricultores, essa iniciativa poderia garantir que os preços de produtos agrícolas no mercado mundial não fossem inferiores a valores locais relativos a custos de produção específicos. Essa proposta estaria baseada no conceito de ''soberania alimentar''.
Ainda segundo Bové, os subsídios agrícolas aplicados pelos países desenvolvidos não beneficiam pequenos agricultores, e sim essas empresas multinacionais. Isso é demonstrado, por exemplo, pelo fato de 200 mil pequenas propriedades agrícolas desaparecerem a cada ano na União Européia.
Annan esboçou resposta em relação ao pedido. Mencionou, sem dar detalhes, plano da ONU para propor uma taxa de 6% sobre o comércio de commodities (matérias-primas em geral, incluindo produtos agrícolas), mas disse que a organização não tem poder para influir no mercado.

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