A decisão do governo do Canadá de proibir importações de produtos de origem bovina procedentes do Brasil, sob a alegação de que o Brasil não prestou as informações solicitadas sobre o controle do mal da vaca louca surpreendeu o governo brasileiro, segundo o ministro interino da Agricultura, Márcio Fortes de Almeida. Segundo ele, os técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, além de já haverem informado à Agência de Inspeção Alimentícia do Canadá de que não há risco de propagação da doença no Brasil, vinham mantendo conversações diárias sobre o assunto com os técnicos canadenses.
Márcio Fortes de Almeida salientou que o governo enviou na noite da quinta-feira o questionário com as respostas solicitadas - dados sobre os animais importados do Reino Unido, Alemanha e França - à Agência de Inspeção Alimentícia canadense. O secretário de Defesa Agropecuária, Luiz Carlos de Oliveira, que vem mantendo os contatos técnicos com os canadenses, explicou que não havia sido fixado um prazo para que as informações sobre a EEB fossem enviadas. ‘‘Conversei com eles ontem (quinta-feira) à noite e eles se comprometeram a aguardar e analisar nossas respostas’’, disse Oliveira.
O secretário de Defesa disse haver sido informado pelos técnicos canadenses de que ‘‘a decisão de suspender as importações brasileiras estava acima da própria Agência de Inspeção Alimentícia’’. Oliveira disse que a decisão é incorreta e intempestiva.‘‘Não há vaca louca no Brasil, nós temos um protocolo declarando o País livre da EEB. Esta questão não tem nada a ver com sanidade animal’’, observou.
Oliveira também informou que os técnicos da Agência de Inspeção Animal e Vegetal dos Estados Unidos (APHIS) afirmaram discordar do comportamento das autoridades canadenses. Conforme ele, esses mesmos técnicos prometeram apoiar o Brasil nas discussões que se seguirem para avaliar a sanidade da carne brasileira.
Oliveira informou que o ministro Pratini de Moraes retorna do exterior neste final de semana, e que a expectativa é de que os canadenses examinem a documentação enviada pela Secretaria de Defesa Agropecuária e voltem a liberar as importações de carnes. Para Márcio Fortes de Almeida, avaliar o estrago que a suspensão das importações trará ao Brasil é uma tarefa que requer cuidado. ‘‘Se houver alguma mancha, nós teremos que lustrar depois’’, observou.

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