A forte demanda pelas energiais renováveis irá manter em alta os preços da cana-de-açúcar. ''Com o que se tem de estoques de cana-de-açúcar e safras crescentes o preço não justifica o nível que está. Só se tem isso por causa da demanda excepcional, nova que surgiu no Brasil'', avalia Vinícius Ito, vice-presidente da Fimat, uma das maiores corretoras do mundo de mercado futuro agropecuário. Por isso, na avaliação dele, o cenário é positivo para o produtor de cana brasileiro.
Ele explica que no ano passado a alta nos preços ocorreu devido à ''precipitação'' do mercado. ''Como o mercado de etanol não é muito desenvolvido, todos compraram açúcar porque a proteção mais fácil que se tem para o etanol é com o mercado de açúcar. Então, o preço foi elevado, mas depois o mercado viu que a demanda não foi elástica e isso fez com que os preços retraíssem consideravelmente desde o final do ano passado até maio e, agora, está tentando se sustentar novamente'', afirma.
No entanto, ele acrescenta que o Brasil é visto pelo restante do mundo como o ''carro-chefe'' dos programas de biocombustível porque a produção de álcool combustível a partir da cana-de-açúcar apresenta a melhor relação custo X benefício, comparando com os demais programas governamentais de fabricação de etanol, devido ao custo menor e ao maior teor energético da cana. ''A produção de etanol não precisa de tanto subsídio ou muitos incentivos econômicos porque as usinas trabalham com as duas produções, de álcool e açúcar'', diz. (F.M.)

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