Forte crise de confiança atinge países emergentes
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de setembro de 1998
Agência Estado 
A turbulência financeira internacional passou a ser mais temida pelos países emergentes depois que a Rússia decretou moratória, em meados de agosto. O calote russo assustou os investidores estrangeiros, que passaram a se inquietar também com a possibilidade de alastramento da moratória a outros países. O enfoque mudou e, em vez de perda parcial por uma desvalorização de moeda, o que passou a contar foi o risco de não receber nada.
Foi a partir desse sentimento que a situação dos mercados emergentes caminhou para uma contínua deterioração. A expectativa agravou-se e a percepção do risco Brasil acentuou-se quando a Moodys Investors Service, agência de classificação de risco, rebaixou a confiança nos títulos da dívida externa brasileira. Os elevados déficits fiscal e nas contas externas indicam a fragilidade econômica do País.
A decisão da Moodys fortaleceu a fuga de dólares, persistente desde agosto, que chegou a US$ 2,916 bilhões apenas no dia 4. Para tentar reverter a sangria nas reservas, o Banco Central (BC) elevou os juros nesse mesmo dia, de 19% ao ano para 29,75%. A essa decisão seguiu-se uma outra, na área fiscal, voltada à contenção de gastos públicos.
As medidas, consideradas insuficientes, frustraram o mercado. Os dólares permaneceram em fuga e, entre os investidores, cresceu o temor de que o governo desistisse de defender o real, um temor que ganhou força com a saída de US$ 2,244 bilhões na quinta-feira.
Em mais uma tentativa desesperada de conter a evasão de divisas, o BC voltou a aumentar os juros, pela segunda vez em menos de uma semana. O juro saltou de 29,75% ao ano para 49,75%.
O novo repique dos juros e a expectativa de que o grupo dos sete países mais ricos do mundo (G7) poderiam prestar socorro financeiro a países latino-americanos em dificuldades relaxou aparentemente a tensão do mercado, embora o fluxo negativo de dólares tenha chegado a US$ 1,6 bilhão na sexta. Os recursos dessa linha de crédito, no caso, dariam sobrevida ao real até que o governo adotasse medidas fiscais duras capazes de reduzir a necessidade de financiamento externo do País.
O fluxo de dólares volta a atrair interesse nesta semana. Uma diminuição de saída de capitais indicaria que o mercado deu uma trégua ao governo. Se persistir a fuga, restará ao BC puxar novamente os juros. Ou, então, desistir de sustentar a moeda e desvalorizar o real, desfecho altamente indesejável.


