Curitiba - Os fornecedores das montadoras também veem o resultado da pesquisa da Amcham com certa apreensão. ''As relações sindicais no Paraná não têm sido as mais harmoniosas e isso preocupa'', disse o presidente da Brose do Brasil multinacional alemã sediada em São José dos Pinhais, José Bosco Silveira Júnior. A empresa - que fica a 1 Km da fábrica da Volkswagen - produz sistemas de porta, mecanismos de vidro e motores elétricos para várias montadoras no Brasil, inclusive a Volkswagen de São José dos Pinhais. ''A relação com o sindicato tem sido muito pesada a ponto de chegar a um impasse de 37 dias na Volkswagen. E isso tudo é danoso para todos'', destacou Silveira, que foi um dos empresários que participou da pesquisa da Amcham.
No entanto, ele também reconhece que muitas coisas foram conquistadas nas relações trabalhistas. Mas, ''se passar do razoável, afeta a competitividade''. Segundo Silveira, a relação do sindicato dos metalúrgicos com as montadoras repercute na mídia e acaba sendo preocupante para novos investimentos no Estado. Para ele, a decisão de uma montadora sair do Paraná afeta toda uma cadeia produtiva.
A Brose atende 23 clientes espalhados pelos países do Mercosul. Entre os principais estão as montadoras Ford, Fiat, GM, Volkswagen, Honda, Toyota e PSA Peugeot e Citroen, além de exportar produtos para o México e Estados Unidos e componentes para a China e África do Sul.
A empresa está presente no Paraná desde 1999, emprega 900 funcionários no Brasil, sendo 600 no Estado. Por ano, produz 6 milhões de peças entre mecanismos de vidro e sistemas de porta. As fábricas do Paraná e de São Paulo da Brose produzem 5 milhões de motores elétricos por ano.
A Volkswagen, presente no Estado desde 1999, foi procurada pela reportagem, mas não retornou até o fechamento desta edição. A Renault também não deu retorno. A Volvo, que está no Paraná desde 1977, informou através da assessoria de imprensa que não considera a hipótese de sair do Estado. (A.B.)

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