Fornecedores estão em busca de novos clientes
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
As fornecedoras que dependem diretamente da Chrysler para manter suas linhas de produção aguardam com ansiedade uma definição mais concreta da montadora sobre seu destino no Brasil. O anúncio de que haveria a interrupção da fabricação da picape Dakota, em Campo Largo, pegou de surpresa todas as 26 empresas paranaenses, paulistas e mineiras que trabalham para a Chrysler. Elas devem definir nas próximas semanas se manterão a estrutura atual de maquinário e de pessoal. Até agora não houve opção por demissão.
As três fornecedoras que estão na Região Metropolitana de Curitiba são as que mais sofrerão impacto com a medida da Chrysler. Elas se instalaram próximas da fábrica para fazer o atendimento just in time (na hora em que a montadora requisitar). São a Detroit, a Dana e a Lear. As demais fornecedoras são de São Paulo e não sofrem o impacto direto, pois fornecem peças e componentes para várias empresas do setor automotivo.
Ao contrário, a Detroit depende exclusivamente do bom desempenho da Chrysler. A fábrica de motores fornecia para a unidade de Campo Largo e também para a de Córdoba (Argentina), onde a Chrysler fechou as portas.
As declarações dadas ontem pelo Ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, aumentaram a esperança de que a Chrysler ficará no País. Eles vão continuar investindo no Brasil, afirmou o ministro, ao dizer que obteve a garantia da direção da montadora. Tápias disse ainda que a diretoria informou que está longe a idéia de paralisar os investimentos.
A empresa, no entanto, não prestou muitos esclarecimentos aos fornecedores. Foi uma surpresa geral. Agora, começamos a manter contato com a Chrysler para entender melhor o processo dela no Brasil, afirmou ontem o diretor-geral da Detroit, Adolfo Soifer. Ele disse que a empresa tem planos de buscar novos clientes e redirecionar os negócios para fornecer a outras montadoras. A decisão será da matriz italiana.
A Lear do Brasil pretende se pronunciar somente na próxima semana. Com 50 funcionários, a Dana informou que não tem planos de fechar ou demitir. A fornecedora de chassi passará a vender para a Mercedes Benz. A empresa se mudou de Curitiba para Campo Largo para concentrar investimentos. Ela fornece também para a Volvo. Ainda este ano produziremos eixos diferenciais para a Mercedes, informou o gerente de Marketing, Luciano Pires.


