Fornecedores do PR acusam megarredes de discriminação
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terça-feira, 16 de maio de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
O presidente da Associação Paranaense dos Fornecedores de Supermercados (Assuosuper), Celso Gusso, reafirmou ontem que a concentração das redes de supermercados nas mãos de grandes grupos vai inviabilizar a maioria dos fornecedores do Estado. Ele prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Supermercados, na Assembléia Legislativa do Paraná.
Gusso não foi convocado pelos deputados, mas fez questão de prestar as informações. Segundo o presidente da associação, pelo menos 60% das compras feitas pelas redes nacionais de supermercados instaladas no Paraná são feitas no Estado de São Paulo. Desse total, 50% é fornecido por cinco grandes empresas multinacionais. Os representantes de um grupo tiveram a coragem de dizer que têm 15 fornecedores paranaenses em um universo de 12 mil produtos ofertados em um hipermercado, relatou. Como a central de compras dessas redes fica em São Paulo, os pequenos e médios fornecedores paranaenses têm dificuldades em cadastrar seus produtos para compras futuras.
O presidente da associação não soube informar exatamente quanto os fornecedores paranaenses representam para as grandes redes, mas estima que esse índice fique entre 15% e 20% do total. Nossas empresas reduziram drasticamente o fornecimento a estas redes e um fornecedor que há um ano tinha 80% de suas vendas para um único grupo hoje está falido porque não teve condições de continuar trabalhando em função das novas exigências, exemplificou.
A maior parte do depoimento de Gusso foi aberto ao público. Mas no final ele pediu que apenas os deputados ficassem na sala para prestar informações sigilosas. A Assosupar existe há um ano e reúne 60 fabricantes e produtores de gêneros alimentícios paranaenses que fornecem produtos para as redes supermercadistas. Foi criada depois que o grupo Sonae (que comprou as redes Mercadorama, Coletão e Muffatão) começou a fazer novas exigências aos fornecedores. Os descontos e bonificações em alguns produtos chegaram a 20% do valor de venda e incluíam mais de 20 itens desde centralização da entrega até enxoval para colocação nas lojas.
Hoje alguns desses grupos diminuíram as exigências, mas ainda inviabiliza muitos fornecedores que na maioria das vezes têm uma margem de lucro de 5%. Gusso lembrou que as exigências feitas aos fornecedores não favorecem os consumidores. O grande beneficiado é o supermercado, que usa essa maior margem na concorrência com as outras redes.
Outro alerta feito por ele à CPI foi sobre a concentração do mercado varejista em um pequeno número de grandes redes. Para exemplificar, ele citou que há menos de um ano uma das quatro redes nacionais conseguiu ficar com 38% do mercado supermercadista da Região Metropolitana de Curitiba. Hoje eles perderam essa fatia de mercado porque tentaram modificar os hábitos dos consumidores, trazendo produtos de outros Estados e o público não aceitou, mas o risco continua existindo, completou Gusso.


