Fórmula para um empreendimento bem-sucedido
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sábado, 21 de fevereiro de 2004
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Classificado recentemente como o sexto País mais empreendedor do mundo, o Brasil, obviamente, ainda peca quando o assunto é a desburocratização para a criação de uma empresa. Não por acaso, estimativas da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (Anprotec) apontam para um índice de mortalidade de 80% para pequenas empresas com até um ano de vida. Esse número, no entanto, se inverte quando se leva em consideração as empresas nascidas com a assessoria de incubadoras, que reduzem a mortalidade dos novos empreendimentos a 20%.
As incubadoras nasceram em meados do século passado, nos Estados Unidos. Foram criadas para oferecer toda a infra-estrutura e formação empresarial necessária para que um novo projeto se transformasse em um empreendimento bem sucedido. No Brasil, 207 incubadoras assessoram cerca de 1500 empresas, além de já terem graduado outras 1100 e se associado a mais 1000. O Paraná conta com 15 desses projetos, e mais um está em fase de implantação.
Londrina já teve duas incubadoras. A Incubadora Industrial, fechada em março de 2000, e a Incubadora Internacional de Base Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina (Intuel), que se mantém ativa, fornecendo espaço físico, tecnologia, comunicação e assessoria empresarial a oito empresas. Outras sete estão em fase de pré-incubação, quando as idéias começam a ser transformadas em negócios.
''Os empreendimentos instalados aqui nos pagam um valor simbólico pelo uso dos espaços, computadores, telefones e fax'', explica a coordenadora geral da Intuel, Cleusa Rocha Asamone. ''Mas, na minha opinião, o mais importante é a assessoria empresarial prestada a elas'', acredita. Capacitação de recursos, comunicação, exportação e negócios, contratos e propriedade intelectual e gestão financeira são alguns dos pontos assessorados pela Intuel às empresas incubadas.
Todos esses fatores fazem com que as empresas incubadas na Intuel tenham um índice de mortalidade ainda menor que a média nacional: 10%. E Cleusa cita como exemplos bem-sucedidos de projetos incubados a Arandu, especializada em automação comercial, e a ComQuest, que produz sistemas de rastreamento e soluções em automação industrial.
A Arandu nasceu como projeto em 1996, e saíram graduados da Intuel em 1999. Trabalham como pequena empresa e faturaram R$ 70 mil em 2003, vendendo softwares para todo o Brasil. Um dos sócios-proprietários da empresa, Chrystian Teodoro Scanferla, concorda com Cleusa quanto à assessoria empresarial prestada pela Intuel. ''Adquirimos noções empresariais essenciais para a tomada de bons negócios no mercado.'' Da mesma forma, a Comquest, que fatura cerca de R$ 150 mil ao ano, vendendo seus produtos principalmente para o Rio de Janeiro e São Paulo, saiu da Intuel em 98 agregando experiência empresarial aos conhecimentos técnicos adquiridos na Universidade. ''Além disso, os contatos oferecidos pela incubadora foram muito importantes'', conta Ricardo Lima, sócio-proprietário da empresa.
Além da cobrança de um valor simbólico, a Intuel recebe royalties como contrapartida pelos serviços disponibilizados pela incubadora. Cerca de 2% do faturamento bruto das empresas graduadas é destinado aos fundos da Intuel por um período proporcional ao tempo de incubação. A Intuel também capta recursos de órgãos de fomento, como o Sebrae e o CNPQ. Cerca de R$ 1,5 milhão foram destinados a investimentos no projeto em 2003. ''Tendo em vista o retorno que uma incubadora oferece, temos em mãos quase uma fórmula para o sucesso dos empreendimentos no Brasil'', conclui Cleusa.


