Formiguinhas elevam vendas e preço do cimento
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quarta-feira, 07 de janeiro de 1998
Agência Estado São Paulo 
A produção de cimento no País bateu recorde em 97, com mais de 38 milhões de toneladas vendidas, ante 34 milhões em 96 e 27,5 milhões em 95. A informação é do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Segundo estudo do BNDES, com a ampliação do consumo do produto poderá ocorrer uma recuperação dos preços aos níveis da média histórica recente. Cerca de 55% das vendas de cimento no País correspondem ao chamado consumo formiguinha, ou seja, pelas pessoas físicas de médio e baixo poder aquisitivo.
O estudo afirma, ainda, que os preços do cimento nacional têm regulado a concorrência entre os diversos fabricantes. O seu valor tem sido declinante desde 1992, mas mesmo assim foi incapaz de proteger integralmente o mercado da região da Grande Salvador, na Bahia, e da região Norte, diz o estudo. Nesses locais, os concorrentes internacionais construíram facilidades portuárias para desembarque de cimento importado. O cimento produzido na região Norte e no Nordeste, por questões de custo e de volume de oferta, sofreu concorrência direta do produto importado. O mesmo não ocorreu nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, onde o preço praticado, somado à disponibilidade de produto, serviu de barreira à importação.
O estudo do BNDES mostra também que o consumo brasileiro de cimento per capita foi de 221,6 quilos por habitante/ano em 96, retomando valor similar ao de 1980, quando chegou a 226 quilos por habitante/ano. Não obstante os acréscimos ocorridos nesses anos, o consumo nacional per capita permanece abaixo da média mundial, que é de 250 quilos por habitante/ano, diz o estudo.
O BNDES salienta ainda que nos últimos três anos várias e importantes empresas do setor trocaram de comando. O número de grupos empresariais nesse segmento sofreu redução. Os investimentos externos ocorridos no Brasil são fruto da estratégia dos grandes grupos internacionais sediados em países europeus, os quais também sofrem de retração em seus orçamentos públicos, aponta o estudo.


