Formando uma poupança pública
Um saldo acumulado no Fundo de Recuperação das Finanças Públicas (FRFP) ao longo do processo de pagamento da dívida poderá dar origem a uma ''poupança pública'', algo que inexiste no Brasil, lembra Rockembach. O dinheiro viria de um depósito compulsório dos governos que já tivessem suas dívidas liquidadas pelo programa.
''Tomemos o exemplo do Amapá, menor devedor. No segundo mês do programa, o governador do AP está desobrigado, por liquidação total da dívida, de transferir à União 15% de sua receita tributária. É justo e necessário que esse governador fique com 10% dessa receita, mas que 5% seja depositado no FRFP'', ilustra.
O economista não cita cifras, mas acredita que em cerca de 20 anos essa poupança possa alcançar 70% do PIB. ''Vamos ter aqui o poder público mais rico do mundo. Isso se a gente não permitir tanta corrupção, por que se essa gente tivesse uma poupança, hein? Qual seria o tamanho do tubo do valerioduto?'', ironiza. Para evitar desvios, ele sugere que um ''colégio de notáveis'' confira as contas e decida sobre o destino do dinheiro, ''em sala aberta e com a televisão ligada o tempo todo''. (V.N.)
A idéia é genial, ousada e tem totais condições de ser posta em prática. Talvez antes mesmo de colocar o programa em execução, a maior dificuldade seja criar as condições políticas para que o problema da dívida pública tenha sua real dimensão compreendida. Hoje as pessoas menos esclarecidas sequer têm acesso a esse tipo de informação. E a busca de soluções passa pelo conhecimento do problema, e pela conscientização da sociedade de que este é um problema também dela.
Antônio Carlos Araújo, advogado e professor de Direito da PUC
É provável que o programa tenha alguma falha, mas é uma solução técnica que merece ser discutida. E soluções técnicas existem para resolver os problemas, o que não existe é vontade política para implementá-las. A gente percebe que o Congresso Nacional não vem dando a importância devida à dívida pública. Há pessoas competentes lá dentro, mas que por questões políticas não estão empenhadas em discutir a questão. Isso é uma tragédia para o País. Por isso a sociedade civil tem que se envolver.
Edson Rui Jóia, administrador de empresas
Minha impressão é que é uma idéia nova e totalmente factível, desde que haja interesse político e da sociedade civil em abraçá-la. Esse projeto tem a finalidade de fazer com que haja uma equanimidade em termos de procedimentos econômico-financeiros no País, provocando uma cidadania mais completa para o nosso povo sofrido. Seria muito importante que se resgatasse aqueles 56 milhões de brasileiros que estão na miséria. Tecnicamente, não vejo nenhuma incongruência no programa.
Celso Barbosa, economista e tributarista
O projeto é muito interessante e pode dar certo, desde que haja um grande pacto entre políticos, empresários e trabalhadores. O apoio dos governadores é essencial. Torna-se necessário agora que este projeto seja mais divulgado e debatido para que possamos colocá-lo em prática o mais rápido possível. A iniciativa da Folha neste tipo de debate mostra que o jornal tem preocupação com os problemas do País e está empenhado em também encontrar uma solução.
Paulo Muniz, empresário
Nesses últimos dez anos nós transferimos todo o dinheiro do trabalho dos brasileiros para os banqueiros e ficamos sem capacidade de investimento em nada - setor produtivo, educação, saúde. Eu me interessei muito pela idéia do Almir porque nós temos que sair dessa de alguma forma, é uma faca no peito. Temos hoje uma grande oportunidade de ser o supridor de energia líquida renovável do mundo, diante do colapso energético do petróleo, mas precisamos ter capacidade de investimento.
Bautista Vidal, especialista em energias alternativas, criador do Pró-Álcool





