Formador de águias ou treinador de galinhas?
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de agosto de 1998
Gizelle Sanches 
A mudança esta aí, e começa dentro de cada pessoa! Numa economia aberta e cada vez mais competitiva, as empresas estão exigindo mais resultados de seus colaboradores. Cabe ao empreendedor ser o agente de mudanças, reconhecendo as habilidades e competências dos membros que formam as equipes de trabalho. Portanto, as empresas contam com recursos eficientes para formar seu time de águias: banco interativo de dados e os testes de perfil da pessoa e dos cargos.
No banco interativo de dados é registrada a competência de cada funcionário que orienta a formação de equipes, ajuda a desenvolver e descobrir novos talentos, cria um ambiente de cooperação entre as pessoas e valoriza o desempenho profissional. Antigamente, numa organização, o saber era transmitido de cima para baixo. Hoje, tudo funciona em rede, na qual a troca de experiências e de informações é fundamental.
O teste do perfil da pessoa baseia-se na análise do comportamento humano em condições padronizadas. Verifica as aptidões, com o objetivo de generalizar e prever o comportamento sob determinada forma de trabalho e as diferenças individuais, analisando no que e em quanto varia a aptidão do profissional em relação ao perfil do cargo. Com esta avaliação, as empresas desenvolvem ao máximo a potencialidade de seu pessoal, utilizando suas habilidades específicas, motivando, estimulando, fortalecendo a auto-estima, confiança e o entusiasmo do trabalho em equipe. Por sua vez, o teste do perfil do cargo indica quais são os requisitos que o profissional deve ter para desempenhar as suas tarefas. Comparando os dois testes, pode-se indicar qual o colaborador mais adequado para cada equipe.
Independentemente da sua disponibilidade, todos os profissionais devem estar atentos às novas exigências do mercado de trabalho, pois hoje não basta ter um curriculum teórico (bem qualificado). É importante que se tenha um curriculum prático, registrando as experiências e comprovando que o profissional é capaz de assumir responsabilidades e desafios para atingir as metas estabelecidas. Os níveis hierárquicos estão sendo reduzidos, proporcionando mais autonomia e responsabilidades aos membros da equipe, exigindo multiespecialização, visão sistêmica, aperfeiçoamento contínuo e redução de custos.
O que é preciso para formar um time de águias? É preciso ter objetivos bem definidos, conhecer bem as habilidades dos membros da equipe, saber trocar experiências, aprender a ouvir, para não inibir a criatividade das pessoas, e a executar, saber receber as críticas para melhorar os resultados, ter boa comunicação, empatia, dedicação, sabedoria e coragem para compartilhar os talentos, ter confiança nos colegas e superar barreiras. Além disso, para alcançar o sucesso, é preciso que o time seja composto por colaboradores com garra, competentes e comprometidos com os resultados.
O sucesso depende da sensibilidade de um agente de mudanças em reconhecer e desenvolver as habilidades das pessoas, alocando o membro de uma equipe no lugar certo. A falta de aperfeiçoamento e autodesenvolvimento acaba subvertendo o conceito contemporâneo de empregabilidade. E isto significa ficar à margem do mercado de trabalho. A tendência atual está voltada ao profissional com certificação pessoal, ou seja, competente, com domínio e conhecimento. A remuneração deixa de ser vinculada somente ao cargo e passa a ser variável, por competências e habilidades, por resultados ou por participação nos lucros.
Vive-se cercado, infernizado e perseguido pela incompetência, do berço ao túmulo. Esta frase, de Laurence J. Peter, em seu livro A Competência ao Alcance de Todos, ilustra uma realidade que persiste no País. Embora num ambiente de democracia, o sistema ainda está contaminado pela burocracia, despreparo e falta de treinamento das pessoas em todos os setores, seja público, bancário, comercial, industrial ou de prestação de serviços, é importante lembrar que o sustentáculo do sucesso sempre foi a competência e não o status.
O profissional tem de se adaptar à nova realidade, investindo no aperfeiçoamento e autodesenvolvimento de sua carreira, visando a empregabilidade. A empresa de hoje precisa de profissionais formados pelo mercado, prontos para entrar em campo e, muitas vezes, defendendo times (setores) diferentes. Se o seu time não tiver garra para entrar em campo a qualquer momento, infelizmente você não passa de um treinador de galinhas!
- GIZELLE SANCHES é consultora especializada em recrutamento e seleção de executivos em São Paulo


