De 2003 a 2012, o número de pessoas com escolaridade superior completa cresceu 110% na população ocupada do Paraná: de 396 mil para 831 mil. Na outra ponta, os sem instrução ou com ensino fundamental incompleto eram 2,2 milhões e passaram a 1,7 milhão, queda de 24% no período. A evolução é significativa, mas a participação dos paranaenses com pouca instrução ainda é grande: 31% do total dos ocupados. E a dos graduados é apenas de 15%.
Os dados fazem parte do estudo "Um olhar sobre informalidade no mercado de trabalho do Paraná", feito pelo Observatório do Trabalho do Paraná - parceria entre o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e a Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Economia Solidária do Paraná (Sets).
Outro grupo que cresceu bastante dentro da população ocupada foi o de pessoas com ensino médio completo e superior incompleto. Elas eram 1,3 milhão e passaram a 1,9 milhão, aumento de 44%.
Chama atenção no estudo o fato de que os menos instruídos representam 61,8% dos trabalhadores domésticos sem carteira assinada e 49,4% dos trabalhadores domésticos com carteira assinada.
A participação dos pouco instruídos ainda é grande entre os empregadores: 15,7%. Ou seja, há no Estado cerca de 870 mil donos de empresas sem terem concluído o ensino fundamental.
Professora do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Katy Maia diz que os números repercutem a maior oferta de cursos de ensino superior nos últimos anos. "São cursos noturnos que permitem às pessoas trabalharem e estudarem", afirma. Ela também cita o ensino a distância, que teve forte expansão na última década, e os programas de financiamento do ensino superior implantados pelo governo. "São novas condições que estão permitindo às pessoas chegarem a uma faculdade", declara. Apesar de considerar haver pouca qualidade em muitos dos cursos oferecidos, Katy diz que houve um "grande avanço" em termos de escolarização, não só no Paraná, como em todo o País.
A economista acredita que parte dos 15,7% dos empregadores presentes entre os menos instruídos está nesta categoria justamente porque as empresas estão exigindo maior escolaridade dos empregados. "A pessoa não consegue emprego porque não estudou e, hoje em dia, está havendo um apoio muito grande ao empreendedorismo. Então, ela acaba fazendo um curso técnico e abrindo um salão de beleza, por exemplo."
Sua colega Adriana Farias, professora do Departamento de Educação da UEL, tem uma visão mais pessimista e diz que os resultados do estudo devem ser analisados com muita cautela. Em primeiro lugar, segundo ela, é preciso questionar qual é a qualidade da educação ofertada. "O ensino superior realmente se expandiu, mas quem investiu nele foi o setor privado, principalmente em cursos a distância. Que impacto tem isso em termos de qualidade? Esse sistema oferece um trabalhador com qualidade ou um trabalhador com ensino concluído?", questiona.
Para a professora, o Paraná investiu em Educação de Jovens e Adultos (EJA) e esse investimento repercutiu positivamente nos números levantados pelo Observatório do Trabalho. Mas, o atual governo estaria fragilizando o EJA, sistema que privilegia o trabalhador, o que pode gerar dados negativos nos próximos anos. "O atual governo está fechando turmas", declara.
De acordo com a educadora, o alvo do governo é o atendimento individual pelo EJA para trabalhadores que não podem frequentar turmas regulares, como caminhoneiros, seguranças, trabalhadores rurais. "É uma medida que vai na contramão da necessidade deste pessoal", destaca.

Imagem ilustrativa da imagem Formação superior cresce 110% na população ocupada
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