São Paulo O receio do comércio em apostar agora no aumento das encomendas para o último trimestre está baseado em indicadores recentes que apontam para uma desaceleração nas vendas ao consumidor. Além disso, apesar de ter iniciado na semana passada um período de queda, com um corte de 0,25 ponto porcentual, os juros básicos, hoje em 19,5% ao ano, ainda são elevados e inibem a formação de estoques.
Na primeira quinzena deste mês, por exemplo, o número de consultas para vendas a prazo recebidas pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) registrou acréscimo de 3,9% em relação ao mesmo período de 2004. De janeiro a agosto deste ano, no entanto, o aumento havia sido de 5,7% na comparação anual. Nos negócios com cheque à vista e pré-datado, houve retração de 1,1% no número de consultas na primeira quinzena deste mês. De janeiro a agosto, o crescimento anual tinha sido de 3,5%.
''A venda à vista despencou'', observa o economista da ACSP Emílio Alfieri. Ele atribui esse recuo à forte base de comparação, que foi setembro do ano passado, e ao fim das liquidações. Ele também não acredita que o tímido corte nos juros básicos possa impulsionar as vendas de fim de ano. ''Tudo depende da continuidade e do ritmo de queda'', observa. O economista destaca que o varejo vai tentar empurrar os pedidos para o mês que vem.
Pesquisa mensal realizada pelo Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV) mostra que as encomendas feitas aos fornecedores neste mês para outubro, das redes responsáveis por um quarto das vendas do setor, caíram 5,39% em relação ao mesmo período de 2004. O indicador mede o valor real dos pedidos, descontada a inflação do período.
''O varejo, especialmente de bens duráveis, está cauteloso por causa do crédito'', diz Flávio Rocha, presidente do IDV e vice-presidente das Lojas Riachuelo. Ele argumenta que o corte nos juros foi decepcionante e para reverter as expectativas leva algum tempo. Ele tem e uma possível saturação do crédito e da capacidade do consumidor de se endividar. De toda forma, para a sua rede de lojas ele encomendou um volume de produtos 30% maior para o fim de ano. ''Mas nós somos uma exceção. Crescemos 43% no segundo trimestre'', conta.
Menos confiança Na prática, a cautela do varejo está respaldada na queda na confiança do consumidor. Pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo mostra que a confiança do consumidor caiu neste mês 13,1% em relação a agosto e atingiu o menor nível desde abril de 2004. A queda atingiu tanto a confiança do consumidor no presente como no futuro, período que coincide com as festas de fim de ano.
''O Natal poderá ser muito bom, se for resolvida a crise política'', diz o supervisor-geral das Lojas Cem, Valdemir Colleone. Na primeira quinzena deste mês, a rede teve queda real de 6% ante setembro de 2004.

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