Ford prorroga dispensa temporária remunerada
Agência Estado
De São Paulo
A Ford vai prorrogar até julho o programa de dispensa temporária remunerada (lay-off) dos cerca de 1.100 trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo. O prazo da dispensa venceria em novembro e a empresa pretendia demitir esse pessoal. A direção da montadora também concordou em reajustar os salários dos funcionários das três unidades em 5% em novembro e mais 4,76% em março, além de pagar R$ 1.650,00 a título de participação nos resultados (PLR).
Os 300 trabalhadores afastados da fábrica de caminhões do bairro do Ipiranga, em São Paulo, também continuarão recebendo salários até julho. No caso deles, o lay-off venceria em fevereiro. A montadora não confirma mas, segundo trabalhadores, essa filial deverá encerrar atividades em meados do próximo ano e a produção será transferida para São Bernardo.
Segundo o coordenador da Comissão de Fábrica da Ford, Rafael Marques, os funcionários que estão no lay-off, entretanto, terão os salários reduzidos. Hoje, eles já recebem 90% do pagamento integral. Em dezembro, passarão a receber 90% do valor atual, percentual que cairá gradualmente até chegar a 50% entre abril e julho.
Os trabalhadores de São Bernardo que estão no lay-off pertencem ao grupo de 2.800 pessoas que recebeu cartas de demissão às vésperas do Natal no ano passado. Após uma greve e vários protestos, a Ford reintegrou uma parte desses demitidos que tinha problemas de saúde e abriu um programa de voluntariado, reduzindo o número de funcionários que considera ociosos para os 1.100 que hoje estão afastados.
Outro pacote de demissões voluntárias será aberto nos próximos dias e a empresa oferecerá quatro salários extras para quem aderir e assistência médica até julho. A partir de janeiro, a carga de trabalho será reduzida para 40 horas semanais. A proposta da empresa, feita ontem ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, será votada hoje em assembléia de funcionários nas fábricas de São Bernardo, Ipiranga e Taubaté. Essa última, que produz motores, é a única que não tem pessoal afastado. Sem contar o pessoal do lay-off, a Ford emprega 6.700 trabalhadores.





