Ford propõe criação de bolsão para evitar a demissão de 1.100
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quarta-feira, 21 de janeiro de 1998
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaEnxugamentoLinha de produção do Fiesta, na Ford: montadora quer reduzir os custos gerais de produçãoA Ford propôs ontem para sindicalistas do ABC a criação de um bolsão para evitar a demissão de perto de 1,1 mil funcionários excedentes da fábrica de São Bernardo do Campo, e ao mesmo tempo reduzir seus custos. Os excedentes ficariam em casa pelo período em que as vendas estivessem fracas e receberiam seus salários mensalmente, só que em valor menor.
A experiência do bolsão já foi feita em 1995 na unidade de São Paulo, que produz caminhões. Na época, 500 funcionários foram liberados do trabalho e receberam durante quatro meses apenas 65% de seus salários habituais. No final, 120 foram demitidos.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC não aceitou o bolsão naquele ano. Ontem, segundo o presidente do Sindicato, Luiz Marinho, dificilmente os empregados aceitarão. Continuamos achando que este sistema é uma espécie de demissão programada, disse, referindo-se à possibilidade de demissões e ao grau de insegurança dos metalúrgicos que ficam em casa, liberados do trabalho, longe dos colegas e sem a garantia de que continuarão empregados. A experiência é utilizada nas fábricas da Ford dos Estados Unidos, segundo o gerente de relações trabalhistas e sindicais da empresa, Valter Trigo.
O executivo não revelou qualquer número sobre a situação da empresa ou sobre o percentual que espera reduzir dos salários dos excedentes. Segundo sindicalistas, a idéia da montadora é reduzir custos gerais de produção. A economia prevista no primeiro semestre seria de R$ 138 milhões, R$ 23 milhões dos quais em despesas com pessoal. Os números, segundo a comissão de fábrica - a representação interna dos empregados -, foram apresentados durante a negociação de hoje.
Férias coletivas De acordo com Trigo, a Ford dará férias coletivas de 12 dias em fevereiro e de mais 10 dias em abril, já que a produção diária, de 1.077 carros, caiu para 747. O gerente afirmou ainda que o número exato de excedentes é de 1.329 trabalhadores, de um total de 7 mil na fábrica. Como 240 se inscreveram no Programa de Demissões Voluntárias, restam 1.089.
A proposta da Ford envolve ainda congelamento de salários (com a suspensão de aumento de 3% previsto para maio), ampliação dos limites do banco de horas, diminuição da participação dos lucros ou resultados, cancelamento de promoções, redução do subsídio hoje dado para alimentação, transporte e plano de saúde, além de outros cortes. A pauta inteira tem 27 ítens.


