A Ford ofereceu ontem indenizações que variam de 2,5 a 10 salários, conforme o tempo de casa, para os 2,8 mil funcionários demitidos se sentirem motivados a aceitar seu desligamento da empresa. Não houve acordo e, assim, a novela dos metalúrgicos que se recusam a deixar seus postos de trabalho vai continuar. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, levará a proposta aos empregados em assembléia segunda-feira, na Ford, e vai recomendar a rejeição. ‘‘Espero que demitidos e empregados recusem por unanimidade’’, afirmou.
A média de permanência da empresa dos demitidos é de 12 anos, segundo informou a Ford, e a de salários é de R$ 1,5 mil. Isso significa indenização média de R$ 6 mil, sem contar as verbas legais de rescisão contratual, como liberação do FGTS, da multa de 40% sobre o fundo e outros valores. Para Marinho, contudo, a luta para que a montadora suspenda as demissões vai continuar porque não há perspectiva nenhuma de recolocação dos demitidos no mercado de trabalho.
A negociação ontem, num hotel em São Bernardo do Campo, não durou nem duas horas. O sindicalista considerou ‘‘jogo de cena’’ da Ford aparecer com um pacote de incentivo ao desligamento. ‘‘A empresa quer passar para a opinião pública a imagem de que não é intransigente’’, disse. ‘‘Mas não apresentou nenhuma solução real para os demitidos.’’
Para o diretor de Recursos Humanos da Ford, Carlos Augusto Marino, contudo, a preocupação foi a de reduzir os efeitos sociais da decisão de cortar o efetivo. Segundo ele, a empresa não vai voltar atrás na decisão de enxugar a fábrica do ABC porque, se insistir em manter o excedente, deixará a unidade inviável para competir com as demais marcas.
O diretor informou que até agora 380 demitidos aceitaram abandonar a fábrica e já pegaram cheques com pagamentos de seus direitos. Resta resolver a situação dos 2.320 restantes, cerca de 300 dos quais com doenças profissionais. A empresa aceita negociar o retorno dos doentes.Kathia Tamanaha/France Presse‘Jogo de cena’Luiz Marinho, presidente do Sindicato: ‘‘Empresa quer passar imagem de que não é intransigente’’Agência Estado

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