Arquivo FolhaFlexibilizaçãoTrabalhadores na linha de montagem da Ford, que vai dar férias coletivas de 16 a 27 de fevereiroUm acordo para evitar a demissão de funcionários e cortar custos da Ford no futuro deverá ser fechado hoje entre a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em reunião às 14h, em São Bernardo do Campo (SP). O acordo - que inclui a ampliação da jornada flexível de trabalho e mudanças na grade de horário dos funcionários - será colocado em votação para os 6.900 metalúrgicos da unidade da montadora em São Bernardo, em assembléia única, hoje, às 17h.
A ampliação da jornada de trabalho deverá passar do limite de 38 a 44 horas semanais para o de 36 a 46 horas semanais. A Ford já anunciou que, com o aumento deste limite, terá um aumento nos custos com a mão-de-obra, mas o montante não havia sido calculado pela empresa até a semana passada. Com a adoção de 36 horas semanais a partir de 2 de março, quando os funcionários voltam das férias coletivas (de 16 a 27 de fevereiro), 800 postos de trabalho serão poupados.
Inicialmente, o excedente anunciado pela montadora era de 1.299 funcionários. Deste total, 417 trabalhadores aderiram ao programa de demissões voluntárias - 70% das adesões foram de aposentados ou de pessoas prestes a se aposentar. Restariam outros 82 funcionários excedentes. O gerente de Operações de Recursos Humanos da Ford, Valter Corotti Trigo, e o presidente do sindicato, Luiz Marinho, disseram que o excedente de 82 pessoas poderá ser até absorvido com as medidas que serão fechadas amanhã. ‘‘Estamos construindo alternativas para evitar demissões. Creio que vamos absorver até esse excedente de 82 pessoas’’, disse Marinho.
Outro objetivo da empresa é tentar eliminar o turno da madrugada para evitar o pagamento do adicional noturno, que passa a ser cobrado a partir das 22h. Trigo disse que as negociações para cortar custos da empresa vão continuar com o sindicato. ‘‘Queremos tornar essa fábrica mais competitiva e para isso será preciso cortar custos’’, disse na semana passada. Ele quer que o sindicato abra esse ‘‘canal de negociação’’ com a montadora para, inclusive, rever até a proposta inicial da Ford de 27 itens, que foi rejeitada pela categoria. Um dos itens que poderá voltar à mesa de negociação no futuro é o aumento no desconto de alimentação, transporte e saúde.

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