SOLUÇÃO NEGOCIADA
Ford e operários
entram em acordo.
Greve acaba hoje

Metalúrgicos terão doze meses de estabilidade
Das agências
De São Paulo
Os 1,5 mil funcionários da Ford Ipiranga, que será fechada no fim do ano, decidiram ontem encerrar a greve que já durava 12 dias e aceitar proposta negociada entre a direção da empresa e a Força Sindical. Os empregados ganharam estabilidade no emprego por 12 meses - até 2 de agosto de 2000 - e vantagens para se desligar da empresa, segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Carlos Andreo Ortiz.
Além do pacote de demissões voluntárias, que está aberto há meses e prevê pagamento de 41,5% do salário por ano trabalhado na fábrica, eles poderão trocar a estabilidade de um ano negociada por seis salários, pagos de uma só vez. Os que não quiserem largar o emprego têm a chance de ser aproveitados em São Bernardo do Campo, para onde a fábrica do Ipiranga será transferida, muito provavelmente.
‘‘Temos a garantia da empresa de que o pessoal do Ipiranga será transferido junto com a fábrica, mas não sabemos ainda quantos poderão ser aproveitados por causa da instabilidade do mercado’’, contou Ortiz. Se a produção estiver baixa como hoje, no fim do ano a empresa continuará com 20% de seus empregados ociosos. Esses 300 excedentes já estão afastados há três meses e assim permanecerão até fevereiro, de acordo com ele, recebendo 90% dos salários. Assim, somente 80% do efetivo seria transferido, razão pela qual o sindicato optou por lutar pela melhora do pacote de demissões incentivadas.
A negociação entre o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, e o presidente da Ford, Antônio Maciel Neto, durou seis horas. Foi a terceira reunião oficial entre as partes nessas quase duas semanas de movimento. A montadora deixou de produzir 1,4 mil veículos no período, entre caminhões e picapes. Hoje as linhas de montagem voltarão a ser ativadas.
Outra decisão dos sindicalistas e da empresa foi a de criar um grupo de estudos sobre a Ford Ipiranga. A empresa já informou que as chances de a planta continuar na atual localização são de apenas 20%, por conta do adensamento urbano nas imediações. Há 80% de possibilidade de a fábrica ser mesmo transferida para São Bernardo do Campo.

mockup