A Ford anunciou ontem uma redução de 33% na produção no primeiro semestre de 1998 e abriu negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para discutir a situação dos funcionários excedentes: cerca de 1.200 do total de 7 mil na fábrica de São Bernardo do Campo, segundo cálculo do presidente do sindicato, Luiz Marinho.
O anúncio da Ford foi feito durante reunião no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Mesmo com a esperada recuperação do mercado no segundo semestre, a redução média da produção nos 12 meses do ano que vem deve ser de 22%, em comparação ao volume deste ano, de acordo com o diretor de Relações do Trabalho da Ford, Carlos Augusto Marino.
O representante da empresa não falou em número exato de funcionários excedentes. Afirmou, apenas, que ‘‘deve ser algo próximo ao que o sindicato está projetando’’. A empresa mantém programa de demissões voluntárias aberto aos interessados. O prêmio aos que se inscreverem é de indenização de meio salário por ano trabalhado, mais direitos previstos na legislação. A negociação começa em janeiro.
A direção da Fiat também está propondo aos 16 mil funcionários da montadora redução média de 10% na jornada de trabalho, sem, no entanto, mexer nos salários e nem diminuir a produção atual, de 2,3 mil veículos/dia. Segundo o diretor de relações trabalhistas da empresa, Osmani Teixeira, a medida é motivada por uma necessidade de racionalização do sistema produtivo e não tem ligação com o pacote econômico do governo federal, que provocou diminuição de demanda no setor automobilístico.
Em Betim (MG), o presidente do sindicato dos metalúrgicos local, Paulo Moreira, disse que a Fiat, em reunião há alguns dias com trabalhadores, previu queda de produção de 16% nos quatro primeiros meses do ano.
A Fiat negou que tenha feito tal previsão e divulgado aos sindicalistas. Segundo a empresa, a produção será mantida em 2.300 unidades por dia, com exceção do período de 22 deste mês até 10 janeiro, quando os empregados estarão em férias coletivas.

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