Ford desiste do RS; Lerner vai negociar
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Agência Folha 
A Ford e o governo gaúcho romperam ontem o diálogo para a instalação de uma fábrica da empresa no Rio Grande do Sul. Logo após a sexta reunião com o secretário de Desenvolvimento do Estado, José Luiz Vianna Moraes, o diretor de Assuntos Legais da companhia, Waldemar Mussi, declarou que as negociações com o governo do Estado estão encerradas porque não houve possibilidade de um ponto de encontro entre as partes. De acordo com ele, amanhã a Ford anunciará oficialmente sua decisão, que deverá confirmar a suspensão do projeto.
Com a desistência da Ford, o Paraná passa a disputar a instalação da unidade no Estado. Ontem o governador Jaime Lerner afirmou que não iria se pronunciar sobre a possibilidade do Estado entrar imediatamente na briga pela atração da fábrica. Segundo o governador, não seria ético tocar neste assunto num momento em que ainda não há um total esclarecimento dos fatos. Mas na segunda-feira desta semana, após a abertura de um seminário sobre o pólo automotivo paranaense, Lerner sinalizou que pretende entrar na briga.
O Paraná não terá um comportamento aético em relação a indústrias que estão se instalando em outros Estados. Mas se elas manifestarem publicamente a saída destes Estados, aí estabeleceremos negociação normal, disse Lerner. Há duas semanas, ele teve uma reunião sigilosa com diretores da Ford.
O encontro, a pedido da empresa, foi feito na sede do governo na subestação da Copel e contou com as presenças dos secretários Giovani Gionédis (Fazenda) e Miguel Salomão (Planejamento). Lerner nega que tenha se reunido com o grupo.
O governador teria dito aos diretores da Ford que eles deveriam primeiro fazer o divórcio para depois procurar um novo namoro, ou quem sabe, até um novo casamento. A Ford seguiu o conselho dado por Lerner.
A Ford e o governo gaúcho estavam há mais de um mês tentando negociar novos termos para a instalação da montadora no município de Guaíba. Os encontros iniciaram depois que Olívio anunciou, em março, a suspensão de repasses financeiros para a empresa e também para a General Motors, acertados com a administração passada, de Antônio Britto (PMDB).
No ano passado o Estado já havia emprestado R$ 42 milhões para a Ford, mas ainda faltariam R$ 418 milhões, incluindo recursos para capital de giro e investimentos em infra-estrutura. Pelo acordo firmado com o governo anterior, o dinheiro seria devolvido em 15 anos, com cinco de carência e juros de 6% ao ano, sem correção monetária.O senador Pedro Simon (PMDB/RS) anunciou que proporá uma reunião da bancada gaúcha no Congresso para buscar uma solução. (Carmem Murara)


