A ameaça de desemprego na indústria automobilística agora é generalizada. Depois de demitir 2,8 mil funcionários da fábrica no ABC e de afastar temporariamente 500 da fábrica de Taubaté, 250 dos quais condenados a deixar a empresa no meio do ano, a Ford anunciou para hoje negociação com o sindicato dos metalúrgicos de São Paulo sobre o afastamento de 600 dos 1,8 mil empregados da unidade do Ipiranga, que produz caminhões. Também a General Motors chamou o sindicato dos metalúrgicos de São Caetano do Sul para um encontro quinta-feira para tratar do corte de 11% do efetivo.
Na Mercedes-Benz, o programa de demissões voluntárias conseguiu por enquanto 333 adesões e a meta da empresa é cortar, até o final do mês, 860 postos de trabalho, 560 dos quais na área de produção, segundo o integrante da comissão de fábrica, Moisés Selerges Junior, que teme cortes em breve. Na Scania trabalhadores se reúnem quinta-feira para discutir proposta da empresa de ampliação do banco de horas para evitar 200 demissões.
O diretor de recursos humanos da Ford, Carlos Augusto Marino, disse ontem que a empresa não levará nenhuma proposta fechada aos empregados do Ipiranga. Uma das idéias possíveis, de acordo com ele, é a suspensão dos contratos de trabalho por alguns meses, com redução gradual de salários. Terminado o período, a depender do mercado, os trabalhadores seriam reaproveitados. Neste caso, o diretor acredita em manutenção de todo o efetivo por conta do recente lançamento de uma linha de caminhões e da breve chegada às lojas da nova picape da marca, a F-200.
Em Taubaté, contudo, Marino vê poucas chances de aproveitamento de todos os 500 excedentes, de um total de 1,5 mil trabalhadores. Ontem houve nova negociação com o sindicato dos metalúrgicos de Taubaté. A proposta da Ford foi de suspensão dos contratos por 5 meses, com redução gradual de salários até o limite de 30%. Só que ao fim do prazo, entre 200 e 230 seriam demitidos. Em relação a São Bernardo do Campo, o diretor reiterou que a empresa não voltará atrás nas 2,8 mil demissões anunciadas em dezembro. Ontem, demitidos ocuparam novamente a fábrica, pacificamente. O diretor informou que eles não receberão o adiantamento dos salários de janeiro.

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