Arquivo Folha O governador do Rio Grande do Sul, Antônio Britto (foto), do PMDB, e o presidente da Ford, Ivan Fonseca e Silva, assinaram ontem pela manhã em Porto Alegre um protocolo de intenções para a construção de uma montadora cuja produção deve atingir 100 mil veículos por ano a partir de 2001. Os investimentos da empresa atingirão uma cifra variável entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão. Os recursos serão captados junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Esta é a terceira montadora de veículos a ser construída no estado. A primeira foi a General Motors e a segunda foi a Navistar, que se associou à Agrale de Caxias do Sul para a criação de uma fábrica de caminhões. De acordo com o protocolo, a Ford deverá gerar 1,5 mil empregos diretos e cerca de 20 mil postos indiretos.
O Mercosul é o grande alvo da empresa, que pretende destinar entre 25% e 30% de sua produção aos países do bloco econômico, e o restante deverá ser comercializado no mercado brasileiro. Este foi o fator determinante para a decisão sobre a localização da nova montadora da Ford, disse o presidente da empresa durante o anúncio oficial. A Ford atua no Brasil há 78 anos e mantém um parque industrial com quatro unidades produtivas de automóveis, veículos comerciais, motores, transmissões e componentes automotivos.
Dinheiro A decisão da Ford só foi tomada depois da participação nas negociações do secretário da Fazenda, Cezar Busatto, que garantiu à empresa vantagens iguais às concedidas pelo estado à General Motors. Para aquela empresa o governo deu um adiantamento de R$ 253 milhões.
No caso da Ford, o governo gaúcho se comprometeu a cobrir a diferença dos juros cobrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que ultrapassarem a taxa de 6% ao ano. Atualmente o banco negocia com juros de 6% mais a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que hoje está em 9,4%.
Esta diferença seria coberta pelo governo gaúcho, quetambém gestionará o financiamento no BNDES. Além disso, a Ford terá isenção de ICMS no valor do investimento (entre US$ 0,5 bilhão e US$ 1 bilhão), o terreno e a infraestrutura necessária, inclusive um porto no Rio Guaíba. O governo também financiará o capital de giro baseado nas vendas de veículos e peças produzidas.

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