Depois de dar férias coletivas para 3 mil funcionários da unidade São Bernardo do Campo, no Grande ABC, a Ford vai adotar o feriadão para adequar a produção de veículos à queda nas vendas do setor que vem sendo registrada nos últimos meses.
O feriadão vai atingir 2,8 mil funcionários que trabalham na linha de produção de automóveis. A partir de segunda-feira eles passam a trabalhar de segunda a quinta-feira. Por duas semanas, os funcionários deixarão de trabalhar na sexta-feira.
O fim das férias coletivas da Ford está programado para a próxima segunda. Na volta do descanso antecipado, apenas os 700 operários que atuam na linha de produção de caminhões e picapes continuam trabalhando de segunda a sexta, numa jornada semanal que soma 44 horas.
Segundo o integrante da comissão de fábrica da Ford, João Cayres, a empresa pretende adotar o feriadão por apenas duas semanas. ‘‘Mas a gente não sabe se a empresa vai querer aumentar depois esse período. Essa situação é preocupante’’, disse.
Com o esquema de feriadão, a Ford deve deixar de produzir 500 veículos por sexta-feira parada. A produção atual da empresa é de 555 unidades diárias de segunda a quinta-feira, com uma jornada de trabalho das 7 às 17 horas, e de 500 veículos na sexta-feira, quando os funcionários trabalham das 7 às 16 horas.
A unidade de São Bernardo da Ford é responsável pela produção dos veículos Ka, Fiesta e Courier.
Apesar da redução da jornada ter gerado um clima de apreensão entre os trabalhadores da montadora, Cayres disse que na Ford não há risco de demissão de funcionário. ‘‘Temos um acordo de garantia de emprego de cinco anos assinado com a empresa.’’
No momento, a Ford está com dois PDVs (programas de demissões voluntárias) abertos. Os funcionários horistas que resolverem aderir ao plano de demissão têm o dia 15 de setembro para comunicar a decisão. Já o prazo para adesão ao PDV para os trabalhadores mensalistas e executivos acaba na próxima semana.

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