Ford adia planos para o Brasil
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segunda-feira, 16 de setembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo A desvalorização do real nos últimos meses adiou os planos da Ford de alcançar resultados positivos em suas operações no País, neste ano. O empate financeiro nas contas da empresa deve ser obtido em 2003. A montadora investiu cerca de US$ 1,2 bilhão na construção da fábrica de Camaçari (BA), iniciada em 1999.
''Nosso 'break even' acabou sendo adiado para o ano que vem, em função da crise na Argentina e desvalorizações que não eram esperadas'', afirmou o presidente da Ford Motor Company Brasil, Antonio Maciel Neto. ''Do ponto de vista operacional, nós evoluimos tremendamente, mas teremos o impacto do dólar no nosso resultado'', reforçou.
A meta planejada de participação de 15% no mercado brasileiro de veículos em 2004, no entanto, está mais perto de ser atingida. Quando projetou o índice, a Ford amargava cerca da metade desse porcentual e ainda corria o risco de ser ultrapassada pela novata Renault, que ameaçava sair do quinto lugar no ranking para o quarto, pertencente à veterana.
Hoje, depois de crescimentos consecutivos mensais, a montadora recuperou parte de sua fatia no bolo e alcançou em agosto seu melhor resultado de vendas dos últimos quatro anos no País. As vendas de veículos da montadora no varejo totalizaram 15.252 unidades em agosto, número 15,7% superior ao resultado de julho. A participação no mercado foi de 11,3%. No atacado, a marca comercializou 15.163 veículos, que corresponderam a uma parcela de 11,7% das vendas ante 10,6% em julho e a 8,7% no início do ano.
Os bons resultados de vendas da Ford este ano foram impulsionados principalmente pelo lançamento do novo Fiesta, primeiro produto fabricado na unidade de Camaçari, que chegou ao mercado brasileiro em junho. No início de 2003, um novo produto será lançado pela montadora. ''Trata-se de um veículo que, além de contribuir para aumentar ainda mais a nossa participação, vai criar um segmento de produtos que ainda não existe no Brasil'', adiantou Maciel. ''Será uma novidade com um impacto tremendo nos resultados da marca'', sustentou o executivo. Segundo Maciel, o lançamento do novo Fiesta está proporcionando um grande crescimento no fluxo de consumidores jovens nas concessionárias da marca.
Para o cenário externo, a estratégia da Ford é a de consolidar os mercados já existentes com aumento de volume. As exportações para o México este ano compensaram a queda nas remessas para a Argentina. ''Quando o mercado argentino caiu, tivemos que ir para o México'', afirmou Maciel. A Ford planejava exportar cerca de US$ 200 milhões para o mercado argentino.
De janeiro a julho, a empresa foi a única entre as quatro montadoras a elevar suas exportações, que cresceram 8,3%, para US$ 266,1 milhões (FOB), segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).


