Forças Armadas vão vigiar fronteira com Argentina
O presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, autorizou hoje que unidades das Forças Armadas passem a vigiar áreas vulneráveis ao contrabando de gado na fronteira entre Santa Catarina e a Argentina, com o objetivo de evitar a contaminação do rebanho bovino da região pela febre aftosa procedente do país vizinho. A autorização foi comunicada ao ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, e prevê a vigilância em pontos considerados estratégicos para impedir a entrada clandestina de animais vivos ou mercadorias que possam ser portadoras da doença.
A solicitação para que as Forças Armadas dêem apoio ao serviço federal e estadual de vigilância foi encaminhada ao Ministério na semana passada. O reforço na vigilância já efetuada pelo Ministério da Agricultura tem como objetivo proteger o rebanho catarinense, estimado em 2,5 milhões de cabeças de gado, que é considerado livre da febre aftosa sem vacinação pelas autoridades sanitárias brasileiras. Para a operação, as forças armadas vão deslocar batalhões de soldados.
Com a autorização para que o Exército, Marinha e Aeronáutica atuem na fronteira entre Santa Catarina e Argentina fica faltando apenas atender ao pedido do governo do Paraná, encaminhado ao Ministério da Agricultura na última terça-feira pelo secretário estadual da Agricultura, Antonio Poloni.
Desde o mês passado as Forças Armadas já vêm atuando na fronteira do Rio Grande do Sul com o país vizinho, nas localidades consideradas mais vulneráveis ao contrabando na região.
Auditoria - O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, informou que os técnicos do ministério farão uma auditoria no chamado Circuito Pecuário Sul, formado pelos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, para verificar se os procedimentos sanitários no combate à febre aftosa vêm sendo aplicados corretamente.
A auditoria terá início na próxima segunda-feira e se estenderá até o dia 28 de abril. Os técnicos visitarão primeiro Santa Catarina e Rio Grande do Sul, dando início à inspeção no Paraná no dia 22. Luiz Carlos de Oliveria explicou que a inspeção foi uma solicitação do Fórum de Secretários de Agricultura do País, encabeçada pelo secretário de Agricultura do Paraná, Antonio Poloni.
Oliveira disse que não há razão para os produtores entrarem em pânico em função da possibilidade de focos da doença na fronteira com a Argentina, especialmente quando estes estão distantes.
Oliveira salientou, no entanto, que essas duas localidades estão distantes da fronteira do Rio Grande do Sul, porque estão situadas ao sul da província de Entre Rios (mais próximo ao Uruguai). Bernardo Cané se comprometeu a notificar as autoridades sanitárias brasileiras tão logo tenha uma definição sobre a análise que está sendo feita. Caso sejam confirmados os dois focos, Bernardo Cané garantiu que os animais infectados serão sacrificados. Na segunda-feira passada durante reunião em Brasília, a Argentina informou ao Brasil a existência de 150 focos de aftosa, a maioria deles registrados na região central daquele país.





