Forças Armadas aguardam ordem para controlar aftosa
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quarta-feira, 11 de abril de 2001
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
O comando da Forças Armadas em Foz do Iguaçu disse ontem que tem estrutura para garantir bloqueio antiaftosa solicitado pelo secretário Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Antonio Poloni, ao Governo Federal. Mesmo assim, a ação só poderia ser realizada com autorização direta do presidente da República.
O capitão de fragata, comandante Luiz Carlos Carvalho, disse que já havia conversado informalmente com o secretário, adiantando que a guarnição da Capitania Fluvial do Rio Paraná poderia ser convocado para operações não-militares somente com determinação do comando em Brasília. Nossas principais funções são garantir a segurança do tráfego aquático, salvaguardar a vida e fiscalizar a poluição ambiental. Temos estrutura disponível para auxiliar no combate à aftosa, mas quero lembrar que somos um órgão mais administrativo que operacional, explicou Carvalho. A corporação está sediada próxima à barragam da hidrelétrica de Itaipu e possui 57 homens e seis embarcações. A ação de marinheiros na região oeste seria necessária devido à fronteira ser definida por leitos de grandes rios. Enquanto o Rio Paraná separa Brasil do Paraguai, o Rio Iguaçu demarca a fronteira com a Argentina. As águas se encontram em Foz do Iguaçu, na chamada tríplice fronteira.
O comandante do 34º Batalhão de Infantaria Motorizado, Carlos Alberto Galetti, também repetiu os dizeres do capitão de fragata, destacando que os soldados estão à disposição dos assuntos de interesses nacionais desde que seja dado um aval da presidência. O Governo Federal já autorizou a ação do Exército no Rio Grande do Sul, em regiões de fronteira seca com a Argentina e Uruguai.
No Paraná, a maior preocupação é com a região sudoeste, principalmente nas cidades entre Planalto e Santo Antonio do Sudoeste (cuja fronteira com a Argentina é demarcada apenas pelo pequeno Rio Santo Antonio, que tem pouco mais de dois metros de largura, em média). Outro ponto considerado crítico fica em Barracão (90 quilômetros a oeste de Francisco Beltrão), onde existe somente vegetação separando propriedades rurais argentinas e brasileiras. A cidade também está na divisa com Santa Caratina, perto de Dionísio Cerqueira. A Seab enviou para a região oito equipes compostas por técnicos agrícolas e médicos veterinários. Há dez dias, 18 pessoas vistoriam fazendas e inspecionam o rebanho, procurando locais suscetíveis à doença. O grupo deve permanecer ainda mais uma semana na região.
Em Foz do Iguaçu, os fiscais do Ministério da Agricultura continuam vigiando as aduanas paraguaia e argentina. Rodolúvios (tanques com solução a base de iodo usados para desinfectar carros) e pedilúvios (tapetes embebidos em líquido antiséptico, usado por pedestres e motoristas estrangeiros) são mantidos nos postos de fiscalização. Segundo o chefe do escritório do MA em Foz, Gil Bueno de Magalhães, desde que a importação de animais vivos foi proibida pelo governo brasileiro, não foi registrada qualquer entrada de bovinos. A passagem de produtos de origem vegetal também continua sendo limitada. Autorizamos a entrada de hortifrutis somente com a apresentação de documentos comprovando a procedência de regiões argentinas onde não existam focos da febre aftosa, explicou Magalhães.


