Curitiba Foi desmontado ontem em Curitiba um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de U$ 320 milhões nos últimos três anos. Uma força-tarefa composta pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal prendeu em flagrante na manhã de ontem quatro pessoas que operavam o esquema, por meio de duas empresas de fachada. Também foi preso o advogado de um dos doleiros, que tentou obstruir o cumprimento dos mandados judiciais. O caso corre em segredo de Justiça e por isso o nome dos envolvidos não foi divulgado.
Três dos quatro doleiros atuavam por meio de uma empresa de turismo. O outro possuía uma distribuidora de combustíveis. Eles movimentavam cerca de U$ 300 mil por dia e serão indiciados por crime contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. Eles estão presos na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. O advogado pagou fiança e foi liberado.
O esquema foi descoberto há cerca de seis meses, quando a Receita Federal localizou várias contas de laranjas, comparando por meio do cruzamento de dados da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Há cerca de 60 dias os doleiros estavam sendo investigados por escutas telefônicas, permitidas pela Justiça Federal. A força-tarefa apreendeu vários documentos e computadores em cinco escritórios envolvidos com as empresas.
De acordo com o superintendente da Receita Federal no Paraná e Santa Catarina, Luiz Bernardi, a lavagem de dinheiro tem ligação com esquema semelhante descoberto pela Polícia Federal no mês passado, em Blumenau, Santa Catarina. Na ocasião foram presas cinco pessoas, que movimentavam cerca de U$ 1 milhão por dia. ''É um esquema que está sendo praticado no Sul do País, em Curitiba, Blumenau e Porto Alegre'', relatou.
Para a superintendência da Receita Federal, o dinheiro movimentado pelos doleiros, através de contas no exterior, deve ser proveniente de corrupção, narcotráfico e sonegação fiscal. A força-tarefa ainda vai investigar quem são as pessoas que utilizavam o serviço dos doleiros. Segundo o delegado da Receita Federal em Curitiba, Aloísio Antônio de Oliveira, o esquema descoberto facilitava a prática de crimes ilícitos. ''Eles (os doleiros) detinham o know-how'', explicou. A Receita Federal estima que deixou de arrecadar U$ 200 milhões nos últimos três anos por causa da operação.
A movimentação do dinheiro era feito por meio de contas no Brasil, entre as quais eram negociados em moeda nacional os valores entre os doleiros e os clientes, e contas na Europa e nos Estados Unidos. Os doleiros possuíam contas nesses locais, e transferiam delas moeda estrangeira para as contas indicadas pelos clientes.

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