O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, acompanhado de um grupo de sindicalistas e empresários dos setores eletroeletrônico e de brinquedos, pediu ontem ao presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), ministro Pedro Parente, que o governo reduza para 10% o corte de energia nas indústrias em geral, que hoje varia entre 15% e 25%. ‘‘Cada dia um setor entra em crise’’, reclamou Paulinho, após o encontro, do qual participou também o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. ‘‘O melhor é reduzir para 10%’’, sugeriu.
Paulinho relatou que Parente e Dornelles ficaram de estudar a proposta, embora não tenham prometido nada além disso. Ele advertiu que, se o governo não ajudar o setor produtivo, as demissões poderão alcançar 15% dos empregados na indústria em geral.
‘‘O governo se sensibiliza muito com o povo na rua’’, criticou, reclamando mais atenção para os trabalhadores preocupados com seus empregos. ‘‘Vamos dar uma semana de prazo e, se ele (o governo) não nos atender, vamos pensar em colocar gente na rua’’, anunciou o presidente da Força Sindical, reclamando medidas imediatas para evitar um número maior de demissões.
Quanto ao setor de brinquedos especificamente, que até aceita o racionamento de 20%, Paulinho disse que a média estabelecida considerou uma época em que ela trabalha pouco (o primeiro semestre do ano passado). O setor, segundo ele, quer que a referência seja feita mês a mês, ou seja: em setembro deste ano haveria um corte em relação a setembro do ano passado; em outubro, corte em relação a outubro de 2000; e assim sucessivamente.
Segundo Paulinho, Parente prometeu estudar ‘‘com carinho’’ essa proposta. Ele propôs, também, uma solução para empresas que receberam multas elevadas e não têm como pagá-las, mas não informou qual foi a proposta.
Não é a primeira vez que ocorre a união entre a central sindical e empresários para reinvindicar mudanças nas regras do racionamento. Em junho, o governo reduziu de 15% para 10% a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os chuveiros elétricos de baixa potência. A alíquota havia sido elevada no final de maio, de 10% para 15%, como uma das medidas do plano de racionamento de energia elétrica. A medida foi revertida principalmente por causa da pressão dos fabricantes e trabalhadores.

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