Força que vem das ruas: a união de comerciantes que dá resultado
Através dos núcleos de rua, empresários deixam a concorrência de lado em busca de melhorias para todos
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sexta-feira, 14 de novembro de 2025
Através dos núcleos de rua, empresários deixam a concorrência de lado em busca de melhorias para todos

Se é da união que vem a força, é dela também que vem o desejo de trazer melhorias para toda a comunidade. O projeto dos núcleos de rua de Londrina nasceu da vontade de fortalecer os comerciantes e empresários em busca de alcançar objetivos em comum, desde a conquista de um estacionamento rotativo até uma nova arborização.
O empresário Carlos Euzébio é um dos fundadores do Núcleo da Duque, que une ao menos 40 comerciantes da Avenida Duque de Caxias, a primeira rua comercial de Londrina.
Antes da formalização do núcleo, ele conta que diversos empresários se reuniram em um grupo para apresentar algumas reivindicações à prefeitura em 2020. “A gente não conseguia nada, nem estacionamento”, relata.
Ele explica que o principal problema encontrado na via era a ‘ameaça’ da duplicação, que levaria a uma desapropriação em massa dos estabelecimentos ao longo da avenida. “Ninguém investia um centavo nessa rua por conta da duplicação”, afirma.
O Núcleo da Duque engloba empresários com estabelecimentos localizados no trecho entre as avenidas Juscelino Kubitschek e Arcebispo Dom Geraldo Fernandes, mais conhecida como Leste-Oeste.
A voz dos comerciantes
Euzébio caracteriza como a “salvação” dos comerciantes o ingresso no projeto de Núcleos de Rua da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina). “Mudou tudo”, afirma. Com essa mudança, em 2021, ele afirma que foi fundado o Núcleo da Duque e, com isso, veio a força para lutar pelos interesses dos empresários da avenida. Segundo ele, o grupo passou a ser atendido pela prefeitura e as reivindicações, ouvidas.
A primeira era a retirada das discussões sobre a possível duplicação da Avenida Duque de Caxias, o que foi oficializado no ano passado, assim como o estacionamento rotativo das 9h às 17h e a utilização do corredor de ônibus pelos motoristas no mesmo horário.
Euzébio também destaca que já foi feita a retirada de grande parte dos fios inativos na rede de posteamento, deixando a via mais bonita, e, mais recentemente, o projeto de arborização da avenida começou a sair do papel, com o plantio de mudas de resedá.
Como próximos passos, o núcleo quer levar mais segurança para a Duque, o que passa por uma maior vigilância por parte das forças de segurança, assim como de melhorias na iluminação. Outra importante ação que está nos planos do grupo é a revitalização completa da via, envolvendo principalmente a demolição ou restauração de alguns imóveis que estão em situação de abandono.
O empresário lamenta o fato de a Duque ter deixado de ser a referência para o comércio de rua por muitos anos, mas que o objetivo é retomar a pujança de outrora. “E eu acho que nós estamos no caminho certo”, afirma.
Em prol de um bem comum
A presidente da Acil, Vera Antunes, afirma que os núcleos de rua de Londrina fazem parte do Programa Empreender e são uma iniciativa inédita e pioneira no Brasil. Segundo ela, já existiam muitos núcleos voltados para apenas um segmento, mas que, nesse caso, a ideia foi reunir os empresários e comerciantes de diferentes setores em um núcleo, tendo em comum o carinho pela rua em que estão estabelecidos.
Isso, segundo ela, reforça o sentimento de pertencimento entre esses empresários e o envolvimento da comunidade em prol do bem comum. Hoje, Londrina conta com cinco núcleos de rua: da Sergipe, da Duque de Caxias, da Guaporé, do Calçadão e da Saul Elkind, o mais recente, lançado em julho do ano passado, e o primeiro fora da região central. O próximo passo é levar para as demais regiões para movimentar a cidade e o comércio local.
Vera Antunes diz ser ousada e adianta que a expectativa é de chegar a pelo menos 40 núcleos em Londrina nos próximos três anos. “Se você quer transformar uma cidade, você precisa de gente em união e em cooperação”, afirma, destacando a importância que a consolidação desses núcleos têm para o desenvolvimento econômico da cidade e que é o movimento que dá voz e força para os comerciantes e empresários.
Duque é referência
Gisele Fanelli administra um comércio voltado à venda de bombas hidráulicas e itens para casa e garante que o Núcleo da Duque veio para movimentar a rua e trazer novos clientes para os comércios. “Nós temos juntado forças, um comerciante com o outro, para trazer melhorias para a Avenida Duque de Caxias”, afirma.
Por ser a primeira via comercial de Londrina, muitas das lojas da avenida são tradicionais e pioneiras na cidade. “As pessoas têm a referência de que o que elas querem, ela vão encontrar na Duque”, conta. Além disso, as melhorias recentes, como estacionamento rotativo, a liberação do fluxo de veículos na faixa dos ônibus e a arborização da via, ajudaram a atrair novos clientes.
Ela garante que o núcleo funciona por conta da cooperação que existe entre os membros e que a concorrência entre todos os comerciantes é saudável, já que a proposta é alcançar melhorias para todos.
Uma das conquistas mais importantes foi o Dia da Duque, celebrado sempre no segundo sábado do mês de julho, em que a rua ganha tons de amarelo e muitos lojistas fazem promoções especiais dos seus produtos.
Quando um cliente chega a um comércio em busca de um produto, Gisele Fanelli explica que eles indicam as lojas dos colegas caso não tenham, já que isso fortalece o próprio núcleo e retém os clientes.
Uma avenida atrativa
José Antônio Bernardi é proprietário de uma empresa de equipamentos e acessórios eletrônicos e de informática na Avenida Duque de Caxias que está há 40 anos no mesmo local, na esquina com a Rua Santa Catarina. Ele relata que a via estava em uma situação de abandono, sem atrativos para os clientes e com os comerciantes desanimados com o que poderia acontecer em um futuro próximo.
Ele destaca que a união deu muito certo porque todos tinham um objetivo em comum: trazer melhorias para a Avenida Duque de Caxias.
“A gente já notou grandes mudanças, com vários imóveis, novos parceiros entrando, novos comércios, então ficou bem atrativa. Hoje é uma rua viável comercialmente e via”, comemora. Para ele, essa é uma mescla de segmentos em que todos saem ganhando.
Sergipe pioneira
Angelo Pamplona encabeça o Núcleo da Sergipe, que existe desde 2009 e que deu início ao movimento de cooperação entre os comerciantes e empresários. Ao todo, são 25 integrantes com estabelecimentos localizados em 10 quarteirões, entre as avenidas Higienópolis e Leste-Oeste, no centro de Londrina.
Pamplona explica que o núcleo foi em busca de melhorias como a revitalização das 10 quadras de abrangência do núcleo, com calçadas, bancos, lixeiras, floreiras e luminárias padronizadas.

O Núcleo da Sergipe foi responsável por impulsionar e fomentar a formação dos núcleos de rua em Londrina e que o trabalho não deve parar por aqui, de acordo com o empresário, já que o vem dando certo precisa ser replicado.
O administrador de empresas Fábio Yoshimura Ajita trabalha com o varejo de calçados na Rua Sergipe em uma loja que já está instalada na via há 57 anos. Ele considera como excelente a ideia de unir os comerciantes e empresários em prol de um bem comum: a Rua Sergipe. “Individualmente é muito difícil promover tais melhorias, mudanças e eventos”, afirma.
No dia a dia, o administrador conta que é comum optar por comprar dos colegas da Rua Sergipe do que buscar determinado produto em outro lugar. “Procuramos sempre ajudar as pessoas que estão próximas. Isso promove a rua e fortalece o grupo como um todo”, garante.
Com as transformações nos hábitos de consumo das pessoas, que muitas vezes trocam os comércios locais pelas compras virtuais, Fábio Ajita destaca a importância que a consolidação dos núcleos. “É um trabalho que procura deixar a rua mais atrativa, trazer novos clientes e reter os que já têm o hábito de fazer suas compras nela”, finaliza.


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.


