A Força Sindical insistiu ontem que o desemprego somente será evitado ou atenuado se houver uma redução na meta de consumo de energia elétrica, atualmente uma média de 20%, estipulada pelo governo federal para a indústria. ''A redução dos postos de trabalho em julho (fechamento de 5.199 vagas na indústria paulista) é uma consequência do racionamento. As indústrias não conseguem diminuir a produção sem demitir. Por isso, queremos uma meta de 10% para o setor'', disse João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical.
Além de uma meta de energia menor, a central sindical também reivindica a isenção ou redução de tributos, como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). ''Já fomos até Brasília pessoalmente para tratar destes assuntos. Agora aguardamos uma resposta para que os empregos sejam mantidos. Quando um problema econômico atinge a indústria, automaticamente interfere em outros setores'', ressaltou Juruna.
De acordo com ele, os problemas econômicos por quais o Brasil passa atrapalham as campanhas salariais no segundo semestre do ano. ''Este é um período que geralmente registra aumento do volume de empregos e a data-base das principais categorias também é nesta época'', afirmou. ''Fica um clima de redenção. Os trabalhadores ficam mais preocupados em manter seus empregos do que com reajustes de salários e isso é negativo para todo o País'', avaliou.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, disse ontem que a tendência de queda do nível de emprego tende a se manter neste semestre e a se aprofundar na primeira metade do próximo ano. ''Historicamente, o segundo semestre registra maior produção em todos os setores da economia do que o primeiro. Mas se a situação já está ruim agora, deverá piorar no início de 2002'', avalia. (AE)

mockup